Coração de Fogo - Capítulo 08

Estava chuviscando quando Maria e Estrella pegaram um táxi para ir à mansão San Roman.
Numa tentativa de não ficar com o coração na boca a cada minuto, Maria inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos, tentando pensar em outras coisas.
Carlos não ficou nada satisfeito ao saber que ia levar Estrella à casa de Estevão. Saíra furioso antes de ver as malas prontas. Não sabia que depois da visita, a jovem passaria a noite num hotel e pela manhã viajaria para Aruba.
– Estevão adiantou o que Maggie queria falar? – perguntou Estrella, interrompendo seus pensamentos.
– Não! – respondeu notando que haviam chegado ao seu destino.
Com um gesto de mão, Maria impediu a moça de pagar o táxi.
Logo as duas mulheres já estavam à porta com as malas.
– Tranquila que vai dar tudo certo. Você está  com uma  aparência ótima. – disse Maria, apertando a campainha e lançando-lhe um sorriso tranquilizador.
Quando Estevão abriu a porta  ficou de boca aberta e observou Maria.
Estava linda com aquela roupa. Calças bem coladas na cor preta, botas de salto agulha. Na parte de cima havia um leve decote valorizando os seus seios. Os cabelos negros caíam- lhe  como cascata por sob os ombros. Estava magnificamente sexy com aqueles olhos bem marcados penetrantes.
– Boa noite, Estevão – ela o saudou com voz suave – Não vai nos convidar para entrar?
Estevão aclarou a garganta, saindo do transe.
– Cla... Claro que sim – ele gaguejou – entrem por favor.
Porém não se moveu do lugar e continuava na mesma posição. Seus olhos fixos em Maria. Só existia eles dois naquele momento. Queria agarrá- la e beijá- la até borrar todo aquele batom daquela boca sensual. Queria...
–  Estevãoo!! – Foi arrancado de suas fantasias ao ser chamado por Estrella. Maria sorria ao perceber o poder que exercia sobre Estevão. – Podemos entrar ou não?
Ele sacudiu a cabeça e dirigiu-se à Estrella. Recebeu- a calorosamente.
– Não vai me convidar para entrar, Estevao?  – perguntou assim que a moça havia entrado.
– Claro que sim. – Ele a agarrou pelo braço quando esta passava por ele e sussurou junto ao ouvido dela – A propósito, você está estupendamente linda e sexy hoje.
– Hummm... Obrigada! Eu já sabia disso. – ela o olhou de cima a baixo, sedutora  – Para um homem de sua idade, até que você não está tão mal. Ainda dá para o gasto.
Que ousadia!! Como ousava  chamá- lo de velho?!
– Carmem está? Há anos  que não a  vejo? – perguntou Maria, quando já estavam na sala principal.
– Ela não está, Maria. Saiu com o novio.
– Ela está noiva?! – Estrella espantou-se.
– Sim. De Rufino Sanches.
– Puxa vida! Desde quando?
– Desde o último fim de semana.
O sorriso de Estrella murchou-se.
– Aconteceram tantas coisas nesses últimos dias.
– Por isso pedi à Maria que a trouxesse aqui. Maggie está à nossa espera. Vamos. – Fez um gesto com a mão para que as mulheres seguissem ao escritório.
Maggie estava sentada numa poltrona à espera deles.
Quando Maria a viu, compreendeu a inseguridade de Estrella. Maggie tinha os cabelos loiros cacheados, soltos. Aparentava ter a mesma idade que Estrella, porém tinha um olhar confiante, segura de si o que lhe dava um aspecto de mulher experimentada.  Pena que não ocorresse a Estrella que talvez Greco a amasse justamente por essas diferenças.
–Oi Maggie – Estrella cumprimentou com voz tensa.
– Oi, Estrella. Talvez eu tenha tomado muito o tempo de Greco e desencadeado todo esse problema, mas acredite que entre eu e Greco não existe nada de natureza sexual. – Respondeu ao cumprimento indo direto ao assunto.
–Como pode dizer isso? – retrucou Estrella –  embora não tenha visto o que faziam, eu ouvi muito bem o que falavam.
– Não há nada entre mim e Greco. – repetiu Maggie.
– Isso é mentira! Ouvi tudo o que diziam.
– O que ouviu exatamente?
– Quer que eu repita na frente de todos?
– Palavra por Palavra.
– Não sei se me lembrarei de cada palavra.
– Tente. Qual foi a primeira coisa que ouviu? Quem estava falando?
– Era Greco. Ele disse... "E se tiver sido só sexo ontem à noite? Quando é que ouve outra coisa entre nós além de sexo" E você respondeu... " Quando é que ouve outra coisa além de sexo entre você e outra qualquer mulher?" então Greco riu.
– E depois?
Estrella fazia um esforço para lembrar as palavras exatas.
– Acho que você disse  alguma coisa sobre estar apaixonada.
– As palavras não seriam " Acha que não o amei ontem quando fizemos amor? Acha que foi só sexo para mim?"
– Sim. exatamente isso.
Estrella estava perplexa assim como Maria que não estava entendendo nada.
Com um suspiro, Maggie pegou uma pasta, tirou dali umas páginas impressas, entregou-as a Estrella e apontou o alto de uma delas.
– Leia a partir desse ponto – ela pediu.
Maria viu o sangue sumir das faces de Estrella. Quando a moça finalmente ergueu o rosto, estava com os olhos cheio de lágrimas.
–É a peça de Greco! – ela sussurrou.
– Não sei se você sabia, mas Greco queria que todos os seus alunos participassem da peça. E eu estava encontrando dificuldades nessa parte. Greco dizia que não interpretava com a devida emoção. Então estávamos trabalhando nisso. Lamento muito que você não tenha entrado e exigido uma explicação, assim teria evitado toda essa situação.
Estrella estava pálida, ia perdendo o equilíbrio e Maria correu para segurá-la  e a fez sentar.
–Um conhaque, Estevão! Depressa! – pediu Maria – ou uma  tequila, um uísque. Rápido!
– Trago já.

– Maria, o que foi que eu fiz? – Lamentou-se Estrella.
– Calma! Agora que sabe a verdade, poderá se entender com ele.
– Não é tão fácil! – lembrou-se que agora ele que pensava que ela o traía.
Estevão voltou com o uísque e Estrella bebeu um gole.
– Acho melhor eu falar com meu filho primeiro. Sabe onde ele está, Maggie?
– Acho que está no apartamento. Hoje apareceu no ensaio num estado deplorável. Foi só então que descobri o que estava acontecendo.
– Ok. Já pode ir para casa. Não tem mais nada que você possa fazer.
– Espere! –Estrella levantou-se, trêmula, e abraçou-a. –Desculpe -me por ter pensado coisas horríveis de você. Sinto muito!
–Está tudo bem. Qualquer pessoa teria pensado a mesma coisa. Eu é que não devia ter levado meus problemas para o Greco. Ele a ama. Não o abandone.
– Não vou abandoná-lo, mas não sei se ele vai me querer de volta.
– Entao lute por ele – aconselhou – o amor é algo precioso. Não acontece com frequência.
Maggie virou-se para Estevão.
– Já me vou. Fale logo com ele. Tenho medo que ele cometa uma loucura.
– Falarei. Não se preocupe.
Estevão a acompanhou até à saída e quando voltou, Estrella ja tinha tomado todo o uísque.
– Liguei para meu filho, mas ninguém atendeu.  – seu olhar deteve-se em Estrella. – Acho melhor ela passar a noite aqui.
– Ela trouxe bagagem – disse Maria, sentindo que a jovem era incapaz de falar – Ia dormir num hotel e pegar um avião amanhã para Aruba.
– Porquê? Pensei que ela detestasse esse lugar.
– Não gosta mesmo, mas parece que tem algo para concluir lá.  Bem, acho que deviamos levá-la para cima.
Como Estrella já estava parcialmente dormida nas pernas de Maria, Estevão dispou-se a levá-la nos braços para o quarto. Quando foi carregá-la, sua mão roçou a coxa de Maria. Ela estremeceu  e ele a olhou com desejo. Maria virou o rosto para disfarçar o nervosismo.
No quarto, Maria ainda ficou um pouquinho do lado de Estrella. Apagou a luz  do abajur e quando estava de saída, flagrou Estevão a observá-la da porta.
– O que foi? – ela perguntou baixinho.
Ele balançou a cabeça e a conduziu para fora do quarto, fechou a porta.
– Você daria uma ótima mãe. Pena que você não pôde ter essa graça.
– Não quero falar disso.
– Ok. ok. – ele levantou as mãos em sinal de paz – Cancelei a reserva do hotel e a do vôo para Aruba. Ela não vai para lugar nenhum e ponto final.
– Eu não  queria mesmo que ela fosse. Acha que ela e Greco podem se entender?
– Vamos esperar, não?
– Cuida bem dela. Eu vou chamar um táxi, vou para casa.
– Como assim já vai?
–  Estou cansada, Estevão.
– Não parece cansada. Está ótima. Linda! – disse ele com voz rouca e sensual.
Maria cruzou os braços e ergueu o queixo, encarando-o. Seu coração, porém,  batia desenfreado.
– Acha que depois de alguns elogios, pode me fazer  mudar de ideia? Sinto muito, não posso ficar. Não tenho interesse em jogar  xadrez com você. – falou sarcástica.
– E se meu  interesse é outro?
– É mesmo? Mas se o interesse não for mútuo, nada feito.
– Nosso interesse é mútuo, Maria. Você veio vestida desse jeito porque queria que eu olhasse para você, que a desejasse.
– Humm... Tem razão. Vim aqui com o propósito de fazer amor com você nesta casa. Mas... Sabe? Eu  já não tenho vontade – falava de modo provocativo.
Estevão grunhiu e  Maria ficou pasma ao ver que ele a agarrava e a beijava com furor, empurrando-a contra a parede.
–Maria, depois de me provocar de todas as formas, nao posso deixar você ir. Você me deixa louco. Sinta como me tem  – levou a mão dela ao volume já formado entre suas pernas –   e eu sei que você quer tanto quanto  eu – apertou os seios dela.  Maria sentia os mamilos apontados por baixo da blusa, evidenciando sua excitação.
Uma perna de Estevão abriu caminho entre as de Maria e antes que ela soubesse que estava fazendo, eles esfregavam-se para cima e para baixo. Sem parar de beijar, ele soltou um gemido, enfiou a mão no cós da calça de Maria e abriu um botão.
Dali suas mãos subiram por baixo da blusa até os seios que estavam ansiando por atenção.
–Oh meu Deus! – exclamou uma voz feminina.
Maria teria escorregado para o chão se ele não a estivesse  segurando.
Diante dos dois havia um par de olhos arregalados e uma boca aberta.
Maria levou alguns segundos para reconhecer Carmem. Seu olhar, em seguida, fixou-se em Estevão que tirava os cabelos do rosto, ajeitando-os para trás e tentava normalizar a respiração.
– Talvez você já saiba, tia Carmem  – ele falou finalmente – que eu e Maria temos nos encontrado.
–Parece que sim – ela disse impressionando Maria pela rapidez que se recompôs e pela aparência que tinha. Onde estava aquele olhar submisso e  desajeitado de sempre? Em vez disso, havia uma mulher elegante, segura que olhava para os dois com as sobrancelhas sarcasticamente arqueadas.
– Não precisa me dar satisfação quanto ao que faz em sua vida particular, Estevaozinho. Fiquei surpresa, só isso. É bom ver que a velha rixa entre San Roman e Fernandez terminou de forma... amigável. – Oi Maria – ela a saudou, com um aceno de cabeça. –Fico contente em vê-la tão bem. Agora com licença. Vou dormir. Teremos mais uma pessoa para o café da manhã, Estevão?

– Sim – ele respondeu com um sorriso malicioso –  Duas. Estrella vai passar um tempo conosco. Agora ela está dormindo.
– Quer dizer que ela deixou Greco para sempre?
–Não sei. Falaremos disso amanhã. Boa noite, tia.
– Boa Noite!
A interrupção dera a Maria tempo suficiente para se recompor e ver a situação em que se encontrava. Deplorável!  Sim! Ela o provocara pois o desejava e o amava. Porém, seu amor por Estevão não era desculpa para deixar- se levar daquele modo. Ela precisava se dar ao respeito. Não podiam ficar se agarrando às escondidas como se tivessem cometendo um ato ilícito. Ela queria um compromisso, que a valorizasse, que se assumissem diante de todos. Queria que ele a amasse.
Abotoando a calça, olhou para Estevão com amargo ressentimento, deu-lhe as costas e rapidamente alcançou a escada.
– Aonde pensa que vai? – indo atrás dela.
– Para casa, como havia te dito.
– Não pode fazer isso.
O riso sarcástico  de María ecoou pela escada.
– Tente me impedir.
– Talvez eu faça isso – ele rosnou, alcançando-a nos degraus de baixo.
Ela continuou a caminhar e ele a agarrou pelo braço.
Ela perdeu a paciência e utilizando seus recursos de artes marciais, agarrou-o também e num golpe fulminante, o fez cair de costas no chão, imobilizou-o com a bota contra seu peito.
– Não tente me tocar de novo – ela o preveniu e com um olhar provocativo, concluiu – A menos que seja convidado, é claro!
Continua...

Escrito por: Neiry Miranda


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6 comentários:

Anônimo disse...

É isso ai, mostra quem manda Maria!!

Unknown disse...

Passada chocada a completamente apaixonada por Maria kkkkk

Anônimo disse...

ai que demais esta sua FIC, estas de parabéns, não nos abandone em e que o próximo venha logo :)

Anônimo disse...

Eu tenho uma duvida, o Grego é filho verdadeiro do Estevão ou ele é adotado.
To gostando muito da fic.

Anônimo disse...

NOSSA ADOREI MANDA MAIS PORFISSSS SIM LINDA

Anônimo disse...

Quanta perfeição neiriane!!!!! Amo muito essa fic e vc tambem haurgaur
Beijos sua tia preferida :* Mica