Coração de Fogo - Capítulo 09
Estevão acordou com uma leve dor nas costas e sorriu ao lembrar- se o porquê. Maria continuava a surpreendê- lo. Tinha a visto em ação no dia do baile quando derrubou os ladrões, porém jamais imaginava que ela usaria seus truques de artes marcias contra ele. Poderia estar enfurecido, mas ao invés disso estava encantado. Não tentou detê-la!
Maria era única! A mulher que ele amava e que a queria do seu lado para sempre.
Maria era única! A mulher que ele amava e que a queria do seu lado para sempre.
Pegou o telefone e ligou para a floricultura. Encomendou um buquê de tulipas vermelhas. Teria que conquistar Maria Fernandez.
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Estrella, Estevão e Carmem tomavam café na mansão San Roman.
Conversavam sobre a relação de Greco e Estrella.
Conversavam sobre a relação de Greco e Estrella.
– Mas quando Estevaozinho falar com ele e explicar tudo, vocês irão se entender. – disse Carmem.
–Não é tão fácil assim... Greco agora acha que passei da cama dele para a de Carlos. Somos apenas amigos, mas ele não entende.
– Não pode críticá-lo por pensar isso. A fama de Carlos não é das melhores. – observou Estevão.
– Não ligo para essa tal fama. Eu só ouvia falar mal de Maria e no entanto, quando a conheci, vi que não é nada do que dizem. Ela é uma grande mulher, amiga, carinhosa. Não quero ouvir uma palavra contra ela. Nem contra Carlos. Ele pode não ser um santo mas foi muito bom comigo.
Estevão franziu o cenho e Carmem pegou as mãos de Estrella.
– Acho bonito que você defenda seus amigos. Mas compreenda nossa preocupação. Nunca houve grandes amores entre San Roman e os Fernandez. E você é uma San Roman. Uma aproximação com um Fernandez é visto como suspeita, não acha Estevão? – ele lançou-se um olhar de fúria – Mas deixe de lado, isso não tem nada a ver com você. É coisa do passado.
– Quer que te leve para ver Greco? – Estevão interrompeu a tia, não estava afim de falar de rixas entre famílias.
– Claro, quanto mais antes eu falar com ele, melhor. Não quero que se meta, Estevão. É um problema pessoal, meu e dele.
E assim ficou acertado. Estevão levou a nora ao AP onde ela e Greco moravam.
Decidiu esperá-la no carro. Estrella estava com um nó na garganta, nervosa.
Decidiu esperá-la no carro. Estrella estava com um nó na garganta, nervosa.
– Como estou?
– Simplesmente, maravilhosa!
Ela tomou coragem e saiu do carro.
– Boa sorte!
– Obrigada, vou precisar.
Caminhou decidida na direção do edifício e Estevão ficou a observá-la.
Não sabia se tocava a campainha ou se entrava com a chave. Decidiu-se pela segunda opção, assim não corria o risco de levar a porta na cara caso Greco não quisesse vê-la.
Encontrou o marido todo desalinhado, com uma aparência horrível e com um copo de bebida na mão.
Ela tentou argumentar. Falou da peça, dos ensaios e de como havia tirado conclusões precipitadas. Jurou não ter nada com Carlos. Porém, ele não queria ouvi-la. Sentia-se culpado pelo que fizera no dia anterior e pediu o divórcio.
– Mas eu não quero o divórcio – ela protestou, desesperada – Vamos esquecer o que houve ontem. Você estava fora de si. Você me ama, eu sei que sim. E eu te amo também.
– Não vai me amar depois que eu te mostrar isso – disse com amargura.
Pegou um envelope que havia na escrivanhinha.
– Um dia você me perguntou o que era isso e eu respondi que eram documentos de negócios. Não são! É o relatório do detetive que contratei para localizar sua mãe.
– O quê???
– Eu menti para você. O detetive achou sua mãe, mas achei melhor não falar nada.
– Mas porquê? – ela gritou, dilacerada. – Você sabia o quão importante era para mim e...
– Pegue... leia. – ele a interrompeu – duvido que a notícia seja tão chocante para você como foi para mim.
Ele saiu da sala, deixando Estrella nervosa, confundida, com raiva e às lágrimas.
Abriu o envelope com as mãos tremendo. Estava a um passo da descoberta. Com o coração aos saltos, foi lendo cada detalhe e de repente, um nome saltou-lhe à vista.
O choque a fez prender a respiração e cair sentada no sofá.
O choque a fez prender a respiração e cair sentada no sofá.
– Meu Deus!! Não acredito! Não pode ser! Não faz sentido! Ela não pode ser minha mãe!
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– Sra. Fernandez, chegou esse buquê para a senhora – falou a secretária, entrando na sala de Maria.
Ao ver as tulipas, ela sorriu. Já havia recebido milhares de flores mas nunca as suas preferidas, durante esses vinte anos.
Estevão fora o único a presenteá- la com tulipas vermelhas durante o breve romance dos dois.
Não havia cartão, mas ela sabia que era ele.
Estava tão absorta, aspirando o perfume das flores que não ouvia o celular tocando. Ao ver de quem se tratava, derreteu-se, porém manteve- se indiferente.
Estava tão absorta, aspirando o perfume das flores que não ouvia o celular tocando. Ao ver de quem se tratava, derreteu-se, porém manteve- se indiferente.
– O que você quer, Estevão?
– Finalmente, Maria. Pois queria ouvir sua voz. Estou com saudades. E também te cobrar algo.
– Pois não te devo nada.
– Claro que deve. Uma massagem. Estou todo dolorido de ontem.
– Pobrezinho! – Maria pôs a mão na boca para ele não escutar seu riso. – Aquilo foi pouco. Merecia mais para aprender a me tratar com respeito e dignidade.
– Ay meu amor, não seja malvada! A propósito, gostou das flores?
– Ah, foi você que mandou? Pensei que tivesse sido o Luciano... – ela se divertia ao imaginar a cara dele.
– Não provoca! Sabe que sou ciumento. Não suporto nem que te olhem. Almoça comigo hoje?
– Não!
– Te pego no final do expediente?
– Não.
–Porque? Janta comigo então?
– Hummm... Não!
– Mariaaa...
– Estevão, tenho que desligar. Nós vemos por aí. Beijos. Ah, eu amei as tulipas e fiquei encantada de saber que não esqueceu meus gostos.
– Não esqueci de nenhum detalhe seu.
– Bom saber porque sou uma mulher dificil de ser esquecida!
Desligou.
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Estevão ainda estava com o celular na mão, pensando como conquistar Maria quando Estrella entrou no carro, branca como uma folha de papel.
– O que aconteceu? O que é isso na sua mão? – apontando para o envelope.
– Nada. É algo pessoal.
– E Greco? Falou com ele?
– Sim. Ele quer o divórcio.
– O que? Mas não explicou a confusão com o texto da peça?
– Expliquei mas ele não acredita no meu amor nem na minha fidelidade. Há outras coisas também...
– Que coisas ?
– Coisas que não quero falar...
– Acha que adianta eu falar com ele?
– Hoje não. Talvez nunca. Ele parecia decidido em romper nosso casamento – Tão determinado, pensou Estrella com amargura, que fez questão de revelar algo que ela não perdoaria tão fácil.
Estevão deu a partida no carro.
– Aonde quer que eu te leve?
– No escritório central das Jóias Fernandez.
Estevão encarou a nora, incrédulo.
– Estrella, por mais que Greco não queira mais nada com você, não pode voltar correndo para os braços de Carlos.
– Não vou lá para ver Carlos. Quero ver Maria.
– Maria?
– É .
A trajetória foi rápida até o escritório e logo Estrella se apresentava à secretária.
– Preciso ver a sra. Fernandez. Não tenho hora marcada, mas se disser que sou Estrella San Roman e que o assunto é importante, tenho certeza que ela vai me receber.
A secretária falou rapidamente ao telefone e abriu um sorriso para Estrella.
– A sra. Fernandez vai recebê-la agora mesmo.
Maria pensava o que podia ser tão urgente. A ideia de que Greco tivesse usado a violência, trazia-lhe uma tremenda revolta. De um salto, ficou em pé no instante que a porta se abriu.
– O que foi? –perguntou agitada – O que aconteceu?
Como Estrella nada respondeu e ficou ali parada com lágrimas nos olhos, Maria quase entrou em pânico.
– O que aconteceu? –perguntou novamente.
–Não sei... não sei como vai receber essa notícia – disse a jovem, hesitante.
– Que notícia?
– Bem... é ... leia isso – deu uns passos e deixou o envelope na mesa – acho melhor sentar-se.
Maria piscou. Sentar-se? O que haveria naquele papel ?
Sentou-se e tirou o relatório. A cada página lida, seu estômago se contraía em meio a uma ansiedade tremenda.
Aquilo não podia ser verdade. Mas era. Era! Seus olhos se ergueram e encontraram os de Estrella cheios de lágrimas.
Aquilo não podia ser verdade. Mas era. Era! Seus olhos se ergueram e encontraram os de Estrella cheios de lágrimas.
– Você é minha mãe, não é? – perguntou a moça, esperançosa, suplicante.
Maria sentia-se incapaz de falar. Conseguiu apenas acenar leve e afirmativamente com a cabeça.
– Mamãe! – Estrella disse num sussurro e abriu os braços.
Com um soluço, Maria correu até à filha e abraçou-a toda cheia de amor.
– Minha filha! – disse ela chorando – Não acredito! Meu bebê.
– Acredite, mamãe, acredite!
Mãe e filha choravam abraçadas.
– Pensei que a tivesse perdido para sempre – disse Maria, passando as mãos pelos cabelos de Estrella e a beijando sem parar. – Não a abandonei, juro. Tentei te encontrar, mas não consegui. Pensei que...
Mais lágrimas brotaram e Maria não pôde prosseguir.
– Eu sabia que você estava viva e que iria encontrá-la.
Abraçaram-se mais apertado.
– Ainda não acredito. Você não sabe o que isso significa para mim.
"Você é minha única filha!", pensou Maria. "Nunca mais pude ter filhos".
Não era, no entanto, momento para falar sobre isso.
– Você é tao linda, meu amor! – acariciou com as pontas dos dedos o rosto terno da filha – tem certeza que me quer como mãe?
– É um orgulho ter você como mãe – respondeu afetuosamente.
– Mas e minha reputação?
– Está falando dos seus amantes? Você é solteira e muito bonita. Tem o direito de ser amada.
– Mas...
– Acha que fico chocada por você ter se relacionado com homens mais jovens? Não. A idade não tem nada a ver com o amor.
– Acreditaria se eu lhe dissesse que nenhum desses jovens foi meu amante?
Estrella ficou, sem dúvida, surpresa. Mas logo se recompôs para falar num tom calmo e sereno.
– É claro que acredito em você. Mas meu amor não depende disso. Você é minha mãe. Sempre a amei, antes mesmo de conhecê-la. Sabia que não tinha me abandonado e agora que confirmei, não tenho mais raiva.
Maria estremeceu ao ouvir isso. Ainda não pensara no que a filha passara na companhia daquele homem horrível.
– Ele não a maltratou, nao é? Não suportaria.
– Ele tentou ser um bom pai. Mas era difícil viver com ele. Sempre me senti culpada por não gostar dele como uma filha deveria. Todo mundo dizia que não éramos nada parecidos.
O coração de Maria se comprimiu. Deveria dizer-lhe a verdade? Levou Estrella até ao sofá e tomou uma decisão. Não podia permitir que aquela moça adorável pensasse que era filha daquele canalha. Ela merecia coisa melhor.
– Ele não era seu pai.
Os olhos de Estrella se arregalaram.
– Não? Então quem? Quem é meu pai?
Maria tomou fôlego e disparou.
– Estevão San Roman!
Estrella deu um salto.
– Hã?! Estevão? Estevão é meu pai?
Maria afirmou com a cabeça.
– Sente-se filha, por favor. Vou contar tudo – puxando-lhe pela mão para que se sentara.
– Ele sabe que sou filha dele?
– Não. Nem se quer sabe que tivemos uma filha.
– Você precisa contar a ele.
– Primeiro, vou contar tudo a você.
Não constava no relatório o motivo pelo qual Maria fugira com Servando.
Puxa vida! Era difícil falar à filha que tinha engravidado do marido da meia-irmã. E fugiu querendo esconder-se da realidade.
Puxa vida! Era difícil falar à filha que tinha engravidado do marido da meia-irmã. E fugiu querendo esconder-se da realidade.
– Você amava Estevão, não?
– Loucamente. Tínhamos sido namorados por pouco tempo quando eu tinha dezesste anos. Pensei que ele me amava mas rompeu dizendo que havia sido só sexo entre nós. Tempo depois casou com Fabiola. Diziam que ele havia casado com ela para pôr as mãos nas Jóias Fernandez. Mas era minha mãe que tinha o controle da empresa. Acho que Estevão teria casado comigo se Fabiola não tivesse virado a cabeça dele com mentiras. Convenceu-o de que eu era uma periguete que dormia com vários homens. Não era verdade. Estevão tinha sido e foi meu único homem.
– Ela era má. Meu pai devia ter se casado com você, mãe. Se ele não te amasse, não teriam me feito.
– Não sei Estrella. Os homens se deixam levar pelo sexo. Eu errei ao beijá-lo naquele dia. Já estava com dezenove anos e ele era casado. Era um teste para mim, e descobri que ainda era louca por ele.
– E o que aconteceu?
– Fizemos amor e Fabiola nos viu juntos. Ela não disse nada. Simplesmente nos olhou e saiu do escritório. Estevão virou para mim e me xingou de todas as formas.
– Foi então que fugiu?
– Sim. Servando foi muito atencioso no início. Estava arrasada e logo adoeci muito. E disse que me levaria para longe para cuidar de mim. Deixei-me levar. Pouco tempo depois, percebi que estava interessado em mim.
E ao se dar conta de que eu não o amava e nem poderia, mudou completamente.
– Mas você ficou com ele até eu nascer. Porquê?
– Estava longe de casa, em depressão e terrivelmente doente. E ainda grávida. Não tinha a quem recorrer.
– Mas e o Coração de Fogo? Porque nao vendeu o diamante? Com o dinheiro podia manter-se. Eu encontrei essa pedra antes de vir para o México nos pertences dele.
– Não podia, filha.
– É, agora eu sei. Até achei que tinha ficado rica, mas descobri que era roubada. Também não podia vender. Agora me diz uma coisa porque Servando roubou o diamante?
– Ele não roubou de início. Roubou depois. De mim! Fui eu quem roubou primeiro.
– Você?
– Estevão ia dá-la a Fabiola. Coração de Fogo simbolizaria o final da rixa entre nossas famílias. Mas eu a roubei jurando nunca deixar que a rixa entre San Roman e Fernandez tivesse um fim.
– Oh... entendo! Quem ama tanto como você ama meu pai é capaz de fazer coisas absurdas e loucas.
– É... – Maria concordou, debilmente.
– Suspeitei que houvesse algo entre vocês, ontem. Apesar de tentarem disfarçar, não conseguem.
– Estevão é tudo o que sempre quis.
– Mãe, eu tenho uma dúvida. Se meu pai foi seu único homem, porque então Servando pensava que era meu pai?
– Não sei... Receio que pelo machismo ou outra coisa não quis ter dito à verdade. Ou ele te queria como filha. O fato é que nunca tive nada com ele. Não conseguiria. Amava e amo seu pai. Foi meu único amor.
– Então o procure. Conte à verdade ao papai. Diga à ele tudo que acaba de me dizer.
– Não é tão fácil.
– Não é tão fácil.
– Por favor, mamãe – implorou Estrella com um olhar travesso – É o primeiro pedido de sua filha. Faça isso por mim.
Maria derreteu-se. Como poderia negar-lhe um pedido desses?
– Está bem, minha pequena. Farei isso por você.
Estrella lançou-se aos braços da mãe.
– Te amo... te amo... te amo. Quero meus pais juntinhos.
Maria sorria de felicidade, abraçada junto à filha.
Continua...
Escrito por: Neiry Miranda

8 comentários:
Continua, esta maravilhosamente maravilhosa sua fic, parabéns :)
Ai que capitulo, lindo mega fofo, adorei, Maria e Estrela juntas, Ana Rosa que se cuide porque a chapa vai esquentar.Adorooooooooooo,quero maisssssssssssssssss
Adorooooooooooo,quero maisssssssssssssssss não demora por favor
aiii que tudo ameiiii chorei com esse capitulo
Que linda!!! Cara, quero ver a reação do Estêvão
Ai eu to no chao!! To chorando que nem criança!! Bjs: Tia Mica
Ameiiiiiiiiiiiii continue
Essa fic e de tirar o folego amei de Verdade parabens a dona dessa fic
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