DOMANDO A FERA - capítulo Final

* Meses Depois*
— Parem, meus amores — Cristina pediu a duas crianças que corriam pela sala de um lado para o outro, davam saltos e alguns gritinhos. Eram Maria do Carmo e Carlos Manoel: seus gêmeos, seus filhos com Frederico. — Assim vão se machucar...
Conseguiu agarrar a menina já que o garotinho driblou a mãe, saindo em disparada para o colo do pai que assistia a tudo sentado no sofá com as pernas cruzadas.
— Te peguei, campeão — a voz grossa do fazendeiro ecoou pela sala fazendo o menino sorri para o pai.
— Ótimo! Agora me ajude a subir com eles — Cristina não esperou resposta, encaminhou-se para a escada e Frederico a seguiu.
Agora que os filhos  haviam aprendido a andar...
Andar? Não!
A correr!
Era mais difícil controlar seus pequenos; e a hora de banhar para dormir era a mais difícil. Ficava esgotada mas jamais reclamava. Ser mãe foi o melhor presente que recebeu em toda sua vida. Amava-os com todo o coração, daria a vida por eles.
E quase deu quando Estela juntamente com Débora roubaram os gêmeos quando apenas completaram dois meses que vieram ao mundo. Foi o pior momento que viveu mas graças ao seu marido-herói tudo se resolveu.
Sorriu, enquanto subia às escadas, ao lembrar da surpresa que tiveram quando João Luís anunciou que teriam duas crianças ao invés de uma.
Não quis saber o sexo antes, queria uma surpresa.
E baita surpresa tiveram...
Gêmeos!!
É, Fred Jr era bom de pontaria.
Bem que todos achavam sua barriga maior que o normal, mas como as pessoas brincavam dizendo que seria um macho à altura do pai, não passou por sua cabeça que seriam um lindo casalzinho.
Entrou no quarto dos filhos, ainda com Maria do Carmo no colo, e foi direto para o banheiro.
Há meses que não tinha um tempinho com o marido, seus encontros eram rápidos e logo interrompidos pelo choro  de algumas das crianças ou de ambas. Por isso, essa noite queria deixá-los dormindo. Consuelo havia se oferecido para ficar com os netos enquanto ela e o marido escapuliam para Olho D'água para uma noite a sós, sem bebês, sem choro, somentes eles.
Não estava se desfazendo deles, era agoniante para ela passar tanto tempo longe dos seus pequenos.
— É somente uma noite, Cristina — dissera Consuelo quando ela recusou de imediato a sugestão da mãe.
— Mas mamãe, não posso deixá-los. E se eles sentirem minha falta? — argumentara na tentativa de não ceder embora morresse de vontade de ficar com o marido na outra fazenda.
— Cristina, eles estão crescidinhos. Além do mais, eu sou a avó deles, saberei muito bem como cuidá-los. Esquece que  também sou mãe?
— Eu sei, mas acontece que...
— Entendo que esteja preocupada, meu amor. Mas você precisa cuidar de seu casamento também. Tem que cuidar de Frederico, seu marido...
— Ele comentou algo com a senhora? — perguntara mordendo os lábios com um aperto no coração enquanto esperava a resposta.
— Não! Frederico é muito paciente e te ama demais para sair reclamando por aí. Mas andei observando vocês, vi como sempre são atrapalhados pelos meus netos e eu posso ajudar ficando com eles enquanto vocês namoram um pouco.
— Tem razão, mamãe — concordara por fin. — Afinal é somente uma noite longe deles...
— Isso! Severiano adora os netos e me ajudará em tudo. Pode ir tranquila.
— Obrigada, mamãe — agradecera enquanto abraçava dona Consuelo. — Mas se acontecer alguma coisa, não hesite em mandar um peão nos chamar. Não falarei nada para Frederico, será uma surpresa.
E assim não havia dito nada, o marido não tinha ideia de que depois que fizessem os filhos dormirem, teriam finalmente sua noite sozinhos sem interrupções depois de meses.
Deu um longo suspiro enquanto despia Maria do Carmo  e a colocava dentro da banheira, virou-se, tomou Carlos Manoel do pai e fez o mesmo.
— A que se deve esse suspiro? — Frederico perguntou já  brincando com a filha.
— Nada — respondeu fitando-o  sedutoramente , os dois perderam-se um no olhar do outro até que Carlos Manoel, batendo as maozinhas na água fez com que algumas gotas caíssem em ambos. Cristina desviou o olhar daqueles olhos verdes penetrantes. — Comporte-se , meu amor. Não pode molhar a mamãe
Alguns minutos depois, o casal saía do banheiro. Levaram algum tempo para fazê-los dormir.
Lembrou-se que às vezes faziam guerra para dormirem com os pais na cama do casal. E acabavam cedendo, era difícil negar algo para os filhos.
Então ela deu graças a Deus quando eles finalmente fecharam os olhos, deu um beijinho em cada um e certificou-se de que tudo estava no seu devido lugar.
*******
Frederico estranhou como a esposa estava diferente. Parecia ansiosa, contente e preocupada ao mesmo tempo.
Observou como organizava remédios, os brinquedos favoritos dos meninos...
— Cristina, está tudo bem? —  susurrou para não fazer barulho.
— Sim. Vamos — puxou-o pela mão levando-o para fora, fechando a porta com cuidado. — Espera-me lá embaixo, Frederico. Já desço...
— Mas estou com sono — ele queixou-se. — Vou para a cama.
— Se entrar naquele quarto agora, você é um homem morto, Frederico Rivero — Cristina ameaçou fulminando-o com o olhar.
Nossa!
Definitivamente, sua esposa estava tramando algo.
— Tudo bem — levantou as mãos, rendendo-se. — Eu não entro. Mas se vou ter que dormir no sofá sem saber  o porquê quero ao menos meu beijo de boa noite.
Sem esperar resposta, ele empurrou Cristina contra a parede. Tinha saudades dos momentos apaixonados que viviam no início do casamento. Sentia falta dos beijos da amada, de sua pele contra a dele, de seu cheiro, de seus gemidos e até de seus gritos quando a paixão era quente demais para que ela pudesse controlar. Depois que os gêmeos nasceram, faziam amor mas nada era comparado como antes. Cristina negava-se  a entregar-se por completo com medo de acordar os meninos, reprimia seus gemidos e movimentos. Seus momentos eram rápidos e Fred jr vivia num estado de completa frustração.
Por isso não perdeu tempo quando a teve encurralada contra a parede e seu corpo duro. Beijou-a com sofreguidão, unindo suas línguas num desespero.
Ele percebeu como a esposa abria as pernas para que ele encaixasse entre elas roçando Fred jr contra o seu  sexo palpitante.
Desceu a língua pelo pescoço, Cristina gemeu o que encendiou ainda mais a Frederico. Tentou abrir os botões da blusa feminina afim de descobrir seus montinhos eretos e suplicantes.
— Naaaooo, amorr — ela protestou com voz rouca. — Aqui não...
— Carinho, vamos para o quarto — ele sugeriu respirando pesadamente. — vamos aproveitar enquanto os meninos dormem...
— Nãooo — negou mais uma vez contra sua boca, tinhas os olhos fechados e as mãos em volta do pescoço de seu homem.
— Como que não? — Frederico reagiu mal, afastando-se.
— Fale baixo... Quer acordar os meninos?? Aí que não vai ter nada de nada. Agora desça! Me espere embaixo, tenho uma supresinha. — ela piscou antes de caminhar para o quarto deles de modo provocante. Antes de fechar a porta, lançou-lhe um beijinho  na palma da mão.
De boca aberta, Frederico viu como ela sumia atrás da porta.
Engoliu em seco, passou a mão pelos cabelos e suspirou.
Cristina deixava-o louco.
Já na tranqulidade do quarto, ela banhou-se, vestiu um conjunto de lingerie de renda preta que a deixava bem sexy.
Enquanto admirava-se no espelho recordou-se  quando  Frederico viu por primeira vez algumas peças íntimas no carro ao regastá-la na estrada porque o veículo quebrou. Lembrou-se da vergonha que sentiu, de como reagiu brigando com ele, lembrou-se também do brilho nos olhos do então prometido...
— Ay, Frederico — ela suspirou sorrindo —, como me fizeste mudar...
Balançou a cabeça e terminou de vestir-se. Escolheu uma calça preta e uma  blusa de cor creme. Arrumou os cabelos, maquilou-se, borrifou perfume e saiu. Ainda tinha que dar as últimas instruções à mãe.
Encontrou dona Consuelo no corredor, esta já estava à sua procura.
— Já estou indo — informou à sua mãe — Os meninos estão dormindo. No quarto tem tudo que precisa e já sabe: qualquer coisa não hesite em nos chamar.
— Tranquila, meu amor. Não passará nada. Agora vá se divertir.
Despediram-se, Cristina desceu e encontrou Frederico com um copo de uísque na mão.
Ele a fitou. Cristina disse que tinha uma surpresa, mas ela estava como sempre, vestida da mesma maneira, nada fora do normal exceto pela forma como ela o fitava. Sensual e matadora.
Frederico soube de imediato que a noite prometia.
Sorriu enquanto sentia uma parte de sua anatomia tornar-se dura.
— Cristina.
— Frederico.
— Quer um drinque? — ele perguntou levantando o copo.
— Sim — respondeu caminhando até ele, sedutora. Pegou o copo de sua mão e bebeu tudo de um só gole.
Frederico engoliu em seco.
— Eu ia servir outro... É... Não importa — atrapalhou-se um pouco ao sentir a esposa tão próxima.
— Então, Frederico — ela passou as mãos pelo seu peito até chegar ao pescoço, aproximou-se mais colando seus corpos; uma corrente elétrica percorreu o corpo de ambos, incendiando-os; fitaram-se profundamente —, quer passar a noite com sua esposa?
— Eu sempre passo a noite contigo, carinho — disse. — Porque hoje seria diferente?
— Estou falando de nós dois... Sozinhos — ela falava baixinho em seu ouvido, mordendo-lhe  o lóbulo da orelha —Sem as crianças.... Longe daqui... Somente eu e você... A noite toda...
— Cristina  — sussurou seu nome com voz rouca já entendendo o jogo da mulher. 
— Meu amor  — esfregava-se nele com os olhos fechados pelo desejo  que os consumia.
— E os meninos?
— Ficarão com a mamãe. Eles estão bem.
— Tem certeza?

— Absoluta! Agora vem — puxou-o pela mão e juntos foram para a outra fazenda.
* TEMPO DEPOIS*
— Então era essa sua surpresa? — perguntou Frederico entrando no quarto que antes ele usava quando ainda não era casado com Cristina. Apesar de sua relutância em seguir o conselho da mãe, ela havia pedido para uma criada decorá-lo com rosas brancas, havia também várias velas acesas e na cama, pétalas de rosas vermelhas. O aroma do ambiente era bastante agradável.  — Passar a noite em Olho D'água?
— Gostou? — quis saber passeando o olhar por todos os lados maravilhada com o que via.
— Não!
— Quê? — ela virou-se bruscamente, perplexa. — Mas... eh...
— Cristina, não me entenda mal —  ele aproximou-se rindo e a apertou contra seu corpo. — Como posso dizer se gostei se a surpresa ainda não acabou, hã? Ainda nem fizemos amor. Não desfrutei daquela cama ali, nem do seu corpo... Amanhã te digo se gostei  ou não mas posso adiantar que é bem provável que sim...
— Safado — bateu-lhe no ombro, sorrindo  — Você me deu um susto de morte! Pensei coisas horríveis... Não faça mais isso.
— Perdoe-me — beijou-lhe a ponta do nariz, logo olhou em volta para depois fitá-la nos olhos. — Está maravilhoso, estou adorando e tenho certeza que ficará melhor.
— Sim? — balbuciou-se contra sua boca a ponto de beijarem-se.
— Aham — então ele tomou o que ela lhe oferecia: sua boca num beijo calmo a princípio que foi tornando-se mais exigente à medida que suas línguas se buscavam mais.
Frederico a levou para a cama, deitou-a sobre as pétalas que moviam-se quando os corpos também moviam-se.
Apesar da urgência e do desejo acumulado, amaram-se lentamente, desfrutando de cada detalhe, cada toque, cada caricia e beijo.
Quando Frederico finalmente a penetrou, Cristina gemeu seu nome, seu corpo incendiou-se com a necessidade de saciar-se, levantou as nádegas para ir ao encontro das investidas do marido. Sentia como ele adentrava mais profundamente, partindo-a num gozo indescritível.
Gemidos e palavras incoerentes misturadas com o suor de ambos completavam a magia do momento. Seus corpos fundiam-se cada vez mais rápido e não durou muito para  que ela alcançasse o êxtase e ele logo a acompanhou caindo sobre ela, esgotado mas bem saciado.
— Cristina — ele a chamou minutos mais tarde  já recuperado depois do tórrido momento. Ela estava ao seu lado com a cabeça em seu peito; ele, então, tomou uma pétala e passeou suavemente pelo corpo nu de sua esposa.
— Humm — murmurou  apertando-se mais contra o marido. — Isso é maravilhoso!
— Sim, é melhor ainda perceber como você está relaxada.
— Isso porque sei que os meninos não vão chorar  de repente nos interrompendo  numa situação embaraçosa.
— Devo admitir que sua ideia de fugir para Olho D'água, foi genial.
— Minha não, da mamãe.
— Que sogra fantástica! — ele riu. — E ainda ficou com os meninos.
— já estou sentindo falta dos meus bebês — ela choramingou. — Nunca passei tanto tempo longe deles. E se acontece algo?
— Tranquila, meu amor...
— Não consigo. Lembra aquela vez em que aquelas duas roubaram nossos pequenos?
— E como esquecer? Quase morri ao ver você gritar desesperada pelos meninos.
* FLAHSBACK *
Maria do Carmo e Carlos Manoel acabavam de completar dois meses de vida. Eram duas miniaturas de Frederico e Cristina, duas bolinhas no berço que dormiam como anjos.
Cristina nunca os deixava sozinhos, mas nessa tarde baixou por um copo de água, pois nenhumas das empregadas apareceu quando as chamou e para não acordar os bebês, desceu ela mesma.
Ao descer as escadas não deu-se conta de  uma sombra entres as paredes e dirigiu-se à cozinha.
Estela, então, saiu de seu esconderijo e subiu. Ela e Débora haviam planejado roubar as crianças. E como a ex-serviçal  conhecia o interior da casa foi a encarregada de entrar e roubar os gêmeos.
E assim fez, depois de um tempo observando a movimentação, escolheu o momento em que Frederico estava fora assim como as empregadas estavam no jardim. Deduziu que Severiano e Consuelo estavam no quarto, então Cristina estaria só com os meninos.
Entrou no quarto do casal e foi até o  berço que acomodava as duas crianças. Colocou-as num cesto com cuidado para não acordá-las.
Ao sair no corredor, ouviu os passos de Cristina subindo; entrou num quarto qualquer rapidamente.
Saiu assim que ouviu o fechar da outra porta. Desceu quase correndo, pouco importava se aqueles pirralhos acordassem e berrassem aos quatros cantos do mundo. Só queria sair dali o mais rápido possível.
Ganhou terreno já no lado de fora da casa, logo avistou um carro e então ouviu os gritos de Cristina.
Sorrindo como louca, abriu a porta detrás  do veículo e entrou com o cesto.
Era Débora no volante.
O plano era Estela entrar e pegar as crianças enquanto a loira a esperava no carro para a fuga ser mais rápida.
Saiu cantando pneus.
Nesse momento Frederico regressava, pois enjoado de ficar longe da mulher e dos filhos, resolveu voltar para a casa.
Ouviu os berros desesperados da esposa e soube que algo ia mal; viu aquele  carro saindo numa velocidade absurda e pôde distinguir Débora no volante.
Sacou a pistola da cintura  a ponto de disparar.
— Nãooooo, Frederico — Cristina gritou correndo em direção ao cavalo em que ele estava montado. — Meus filhos  estao no carro.
Então ele entendeu tudo. Os bebês estavam sendo sequestrados. Ficou perplexo vendo  como o veículo se distanciava.
Cristina jogou-se no chão, chorando desconsolada. Foi amparada por Consuelo e Severiano que vieram logo atrás quando ouviram os gritos. Em questão de segundos, haviam muitos peões e criados no pátio da Casa Grande.
Frederico desceu do cavalo, correu para sua caminhonete e pisou fundo no acelerador.
Não muito longe dali, o carro das duas parava.
— O que foi ? — gritou Estela enquanto olhava para trás para ver se alguém as seguia. — Acelera essa merda...
— Acabou a gasolina...
— O quê? — abriu a porta e saiu. — Idiota! Burra! Isso era uma fuga. Como é que você não abastece esssa droga? Imbecil.
— Não põe a culpa em mim...
— Não temos tempo para briguinhas, Frederico está vindo atrás de nós e vai nos matar se pega alguma. Eu vou fugir a pé mas não fico esperando ele.
Saiu correndo para dentro do mato, deixando Débora e os bebês. A outra com medo ao ser abandonada pela cúmplice também saiu e a seguiu.
— Estela, me espera. Eu não sei andar pelo mato.
Frederico encontrou os filhos chorando e os levou para Cristina mas a raiva que sentia pelas duas era incontrolável por isso organizou uma equipe de busca.
Ele, Ernesto e mais cinco peões saíram a galope embrenhando-se na mata.
— Ali — apontou alguém. — São elas.
E de fato era Estela e Débora. A morena havia roubado um cavalo. E ambas galopavam pela liberdade. Estavam desesperadas pois já haviam se dado conta do erro e viram que não tinham escapatória.
Quando Estela olhou para trás ao ouvir o grito não reparou num galho de árvore que apontava para a estrada. A porrada que levou ao virar o rosto de novo, foi tão forte que desmaiou no lombo do animal.
Débora gritava sem saber o que fazer pois não tinha as rédeas do cavalo para controlá-lo.
Apavorada, viu como ele galopava em direção a um precipício.
Pôs as mãos na cara e deu um grito de horror ao se ver caindo por cima das pedras lá embaixo.
*FIM FLASHBACK *
— Foi uma morte horrível, mas elas mereceram — apontou Frederico um pouco furioso. — Ainda bem que foi pelo acidente ou hoje não estaria aqui. Teria matado as duas como minhas próprias mãos.
— Calma, meu amor — beijou-lhe o rosto para tranquilizá-lo. — O importante é que você resgatou os meninos. Não sabe o alívio que senti quando você me entregou Maria do Carmo e Carlos Manoel. Estavam assustados meus pequenos e tenho medo que estejam agora.
— Não, meu amor — ele a consolou lhe  beijando os cabelos. — Aquelas duas já não existem mais e nem a ameaça do perigo. Fique tranquila e vamos desfrutar da noite. Vamos aproveitar.
Sim, era momento de aproveitar o que a vida lhe oferecia, pensou Cristina  enquanto ele rolava sobre ela, prendendo-a no colchão.
Durante a gravidez dos gêmeos, tanto Estela como Débora não deixaram de perturbar seu homem. Aproveitavam a ida dele à cidade para darem em cima do marido. Mas ele as rejeitava como sempre e ela mais confiante já nao brigava com ele.
Agora não existia nenhuma das duas invejosas para atrapalhar o amor de ambos! E nem existia o ciúme doentio de Frederico por causa de João Luís pois o médico   fora transferido para a capital logo depois dos gêmeos nascerem. Como tinha criado uma boa amizade, ele escreveu para ela contando que encontrara uma linda mulher e estava prestes a casar.
Ficou feliz pelo amigo e mais feliz ainda quando viu a reação do marido quando  contara a novidade.
Enfim, nada mais podia atrapalhar o amor que sentiam um pelo outro. Podiam viver livremente.
— Você está certo, Frederico! Vamos aproveitar...
— Isso! Porque Fred jr está bem desperto.
— Estou percebendo — sussurou mexendo os quadris de encontro à  dura a ereção.
Acordaram não muito tarde e depois de se cumprimentarem fazendo novamente amor, retornaram para O Bananal.
Cristina correu para juntos dos filhos que brincavam alegremente no tapete da sala.
— Mamãe — gritou Maria do Carmo  estendendo os bracinhos para Cristina.
— Mamãe — imitou Carlos Manoel.
Era a primeira palavra que falavam e foi espanto total pois ambos falaram praticamente  juntos com intervalo de poucos segundos.
— E ninguém vai chamar papai ?? — perguntou Frederico fazendo-se de indignado.
— Nem vem, amor, que o momento é meu — riu  abraçando os filhos, agachada junto a eles. — Digam PAPAI, meus amores?
Ele sorriu com a ajuda que recebeu.
Severiano e Consuelo apenas observavam sentados no sofá.
— Pa... — começou Carlos Manoel mas engatou-se.
— P- A- P-A-I — soletrou o fazendeiro.
— PA... Mamãe  — gritou  o menino.
— Nós tentamos, amor — Cristina sentou-se no tapete e pegou o aviaozinho de brinquedo que recebia do filho  — É algo que não podemos forçar. Vai vir naturamente.
— Diz isso porque está explodindo de felicidade por terem chamado mamãe primeiro — sentou-se no tapete também e Maria do Carmo jogou-se no seu colo.
— Bobo — esticou-se para dar um selinho no marido.
Os dias passaram-se e naquela casa  somente reinava a paz e a tranquilidade.
A fazenda era produtiva com lucros  altíssimos.
Maria do Carmo e Carlos Manoel cresciam aos poucos sobe os cuidados excessivos dos pais e dos avós também.
Severiano, totalmente recuperado, era só mimos com os netos assim como Consuelo.  Sem falar dos carinhos que recebiam de Vicenta e da outra senhora, a Victoria.
E com tanta gente cuidando dos filhos, Frederico e Cristina escapavam para seus encontros apaixonados.
Num belo dia, passeavam pela cachoeira.
Sentaram-se numas pedras com Cristina em meio às pernas do marido com a cabeça apoiada no peito dele.
Tinha os olhos fechados sentindo o vento no rosto.
— Sou tão feliz, Frederico — ela exclamou. — Nunca pensei que fosse me casar, ter filhos, me apaixonar...
— E eu nunca pensei que fosse encontrar uma mulher como você. Não acreditava que isso pudesse existir. Não acreditava no amor.
— E agora?
— Agora eu sei que o amor existe e transforma  as pessoas. Você mesma é um exemplo disso.
— Eu? — voltou a cabeça para ele.
— Sim — concordou — Era uma mulher brava, egoísta...
— Se continuar por aí, vai receber uma linda roxidão nesse nariz — ela advertiu.
— Odiava os homens —  rindo, continuou sem fazer caso às suas ameaças. — Vivia brigando comigo, recusando-se a entregar ao nosso amor e hoje está aqui completamente feliz.
— Tem razão! Seu amor me transformou. Lembro que você vivia dizendo que ia domar a fera... Eu não era tão difícil assim!! Ou era?
— Oh, sim! Muito! Não sabe o trabalho que tive. Mas, afinal, conseguir te domar?
— Eu não sou uma égua selvagem para ser domada, Frederico — levantou-se abruptamente e disse com voz brava fingindo-se de indgnada, mas fingiu tão bem que ele assustou-se.
— Nao... Não... Não foi isso que quis dizer — estava desesperado, colocou as mãos na cabeça derrotado e com cara de choro. — Oh, Cristina! Não!
Ela caiu na gargalhada!!!!
— Que foi? — levantando-se também.
— Creio que isso que acaba de acontecer responde a sua pergunta, amor meu. — ela foi até ele o abraçou.
— Como assim? — aceitou o abraço. — Não domei esse  coraçaozinho?
— Somente quando eu deixo — ela o beijou de leve, um selinho intenso. — Essa fera que você tanta fala vai continuar dentro de mim.
Agora foi a vez dele dar uma bela gargalhada.
— Já imaginava, Cristina. Mas não importa. Eu consegui o que eu mais queria: seu amor. Não me importa o teu gênio difícil, sei que me ama assim como eu amo você e isso basta.
— Sim. Te amo! Te amo! — gritou com a cabeça inclinada para trás e de olhos fechados.
Não quis confessar  ao marido  mas no fundo Cristina  sabia que ele a tinha domado.
Seu coração pertencia a seu belo fazendeiro para sempre!
*FIM*

Escrito por: Neiry Miranda 
Obrigada por acompanharem a história do começo ao fim. ;)



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6 comentários:

Anônimo disse...

Ain eu amo e sempre amarei está fic,ela sempre será eterna para mim!

Que pena que acabou,mais foi um fim lindo...
Historia simplesmente perfeita e escritora magnifica

ain vou sentir falta,seria tão bom se vc linda escritora posta-se no nyah seria mais fácil eu volta a reler!
Parabéns tudo perfeito
(Palavras ditas por mim Fátyyma Barros)

Anônimo disse...

Ameiii !Agora pode começar o domando a fera anos depois !haa

Unknown disse...

👏👏👏👏👏👏 amei

bia maria disse...

Adorei esse final

Unknown disse...

Perfeiitoooooo adoreii o final..❤

Anônimo disse...

Adorei...<3...pena que acabou...:(