Para sempre em seu coração Capitulo 4
CAPÍTULO QUATRO
Esteban colocou María sobre sua cama.
Ele desabotoou a camisa e começou a tirar
os sapatos. Ela parou de respirar, dizendo a si mesma para não olhar, mas
sabia que iria. Tinha 23 anos e nunca vira um homem despido. Ela também nunca havia
estado sozinha num quarto com um homem. Por quê? Ela era virgem. Costumava
pensar que ainda era virgem porque tinha encontrado Esteban primeiro e se habituara
a querer aquilo que não podia ter.
Aos 19 havia descoberto que o desejo físico
podia se sobrepor a qualquer pensamento e mesmo ao orgulho. Esteban podia não
ter reagido a ela da mesma forma, mas María nunca esquecera a força poderosa e estimulante
de sua reação a ele. Todos os rapazes que entraram em sua vida depois dele
haviam sido comparados com ele. Ela queria sentir o que sentia por Esteban e
havia se tornado exigente.
— Vou tomar uma ducha, María mia...
Com o rosto vermelho, ela desviou sua
atenção da vibrante fatia de peito musculoso que aparecia pela camisa
entreaberta.
— Eu não sou bonita... Não me chame assim —
murmurou.
Esteban apoiou um dos joelhos na cama. Seus
olhos verdes e brilhantes pareciam risonhos quando fixaram os olhos dela.
— Se eu falo que você é bonita, você é...
— Mas...
— Você tem um corpo celestial...
— Sou pequena...
— Mas o que tem dentro do espaço de sua
altura é de excepcional qualidade. Continua dentro de mim o ímpeto irresistível
que eu sentia de tomá-la em meus braços e colocá-la sobre a cama mais
próxima... e agora você está aqui.
Esteban se afastou da cama e desceu o fecho
éclair de sua calça bem cortada.
— Você devia estar repousando... — disse María
travando uma batalha com sua consciência
e desviando os olhos envergonhada do próprio desejo de acompanhar os
movimentos dele. — Eu devia estar em meu quarto...
— Durma, então, e pare de reclamar! — disse
Esteban, rindo.
Ele estava sorrindo. Parecia feliz de uma
forma que ela não conhecia. Ela mudou de idéia e disse a si mesma que não havia
mal algum em partilhar a mesma cama. Mas e se ele rolasse na cama durante a
noite e... e se tornasse amoroso com ela? Ela seria capaz de resistir? Tinha
certeza de que não ia querer resistir.
Entretanto, advertiu-lhe uma voz interior, Esteban
logo recuperaria a memória, e se algo físico acontecesse entre eles antes, como
ele ia se sentir depois? Era um homem solteiro sofisticado e o sexo não devia
ser algo muito sério para ele. Se ela agisse de forma irracional, Esteban pensaria
que não tinha muito significado para ela também.
— Ainda está acordada, cara?
Ao som daquela voz pausada e profunda, María
puxou a cabeça para fora do travesseiro
e o olhou com atenção por cima do lençol.
Com apenas uma toalha à cintura do corpo bronzeado
e insinuante e com gotas d'água cristalinas ainda cintilando sobre o peito
musculoso, Esteban a observou de forma meticulosa e calma. Ela assentiu
lentamente com a cabeça. Ele se sentou ao lado dela, na cama, e o coração de María
começou a bater com tanta força que ela
pensou que estivesse a ponto de ter um ataque de pânico. Ele foi puxando o
lençol pouco a pouco enquanto ela segurava a respiração.
— Eu quero ver você — ele lhe disse quase
secamente.
A boca de María formigou pelo simples pensamento de sentir a
boca de Esteban junto à sua.
— Eu quero ver você toda... — completou ele
com voz rouca.
Ela ia dizer não, na verdade faltava apenas
acabar de abrir a boca para, reunindo todas suas defesas, dizer não para aquilo
que ela mesma desejava, quando então o desastre aconteceu: ela deparou com o
brilho escuro dos olhos dele e sua consciência se desvaneceu.
— Esteban...
— Eu gosto do modo como diz meu nome.
Ele se inclinou e saboreou a boca rosada de
um jeito devastador. A língua dele abriu caminho entre seus lábios. E penetrou
ali profundamente, numa exploração segura. Ela emitiu um som baixo de resposta
exaurida enquanto suas mãos se erguiam para mergulhar dentro do profuso cabelo
dele e puxá-lo para perto.
— Você tem uma boca maravilhosa — ele falou
com voz rouca, puxando-a para cima em seus braços e para junto de suas coxas
afastadas.
— Nós não podemos fazer isso... — ela
alertou trêmula. — Nós simplesmente não podemos.
— Olhe para mim... — convidou Esteban em um
tom denso, enquanto seus dedos ágeis abriam os pequenos botões de pérola,
provocantes, ao longo da camisola dela.
Ele afastou o tecido para pôr completamente
à mostra os seios fartos.
— Santo cielo... você é esplêndida.
Ela estava intensamente enrubescida. Ele
brincou com os mamilos retesados, cor rosada, que coroavam os seios polpudos.
O coração dela batia tão rapidamente que parecia estar na garganta. Sentia-se
simultaneamente envergonhada, embaraçada e emocionada pelo toque dele.
Emitindo um som grave de apreciação, Esteban abaixou a cabeça orgulhosa e,
apanhando um dos tenros mamilos com a boca, mordiscou-o com os dentes e a
língua.
— Oh... — exclamou ela involuntariamente.
Era como se um choque sensual engolfasse
seu corpo despreparado. Enquanto uma deliciosa sensação que misturava prazer e
dor corria do topo sensível de seu peito até um lugar secreto entre as coxas,
ela se esticava e se contraía em meio à respiração audível. Seu pescoço se
esticou e sua cabeça tombou para trás, sobre o braço dele, num movimento de
entrega.
— Desde que pus meus olhos em você lá na
clínica, fiquei pensando em você na minha cama. Foi um desejo instantâneo... —
confidenciou Esteban, com espetaculares olhos brilhantes esquadrinhando o
corpo dela com um forte ardor masculino. — Foi assim da primeira vez em que a
vi?
— Você nunca contou — murmurou ela,
enfiando o rosto no ombro dele e ocultando-o ali.
— Então eu não compartilho todos meus pensamentos
com você?
— Não...
Ele colocou as costas dela sobre o
travesseiro de modo que pudesse olhá-la e de novo beijou-a longa e
intensamente. O núcleo de calor que ela sentia na concavidade de sua barriga
pareceu incendiar-se, fazendo com que seus quadris se movessem inquietos contra
o colchão.
— Você está quente por minha causa, María
mia — falou Esteban com satisfação.
Não havia como negar isso. Ela sentia o
próprio corpo retesado e terrivelmente sensível. O sentimento era avassalador.
Nunca sentira nada tão forte quanto as sensações que ele a fazia experimentar
e aquela intensidade tornava a sedução completa. Ela não conseguia pensar, só
sentir. Ardendo com uma obscura dor de frustração, ela fez seu corpo se
aproximar mais do dele com uma necessidade que não podia controlar.
— Não tenha tanta pressa... — falou ele
numa voz baixa e sensual e fez suas mãos hábeis deslizarem para baixo, até os
quadris dela, para remover a camisola. Os olhos faiscantes dele, parecendo
famintos, esquadrinharam suas curvas polpudas e se centraram nos pelos claros
no meio de suas coxas.
Levantando-se, ele deixou cair a toalha
úmida que tinha na cintura. Os olhos dela se arregalaram e ela engoliu em seco
porque ele estava flagrantemente excitado. Ele tinha a magnificência flexível
e o poder muscular de um atleta nato. Sem se importar com a nudez, ele voltou
para a cama, para juntar-se a ela. A expectativa se apossou dela como uma chuva
de faíscas que a acendiam por dentro, mas ela ainda não conseguia enfrentar o
olhar ardente dele.
— Eu quero você — ele pronunciou com voz
rouca, devorando com a ânsia da própria boca a boca intumescida de María . A
invasão erótica da língua dele a enfraqueceu, submetendo-a a uma tempestade da
fervente sexualidade.
— Quero atormentá-la de prazer...
Ela exultou com o peso do rígido corpo
masculino nu contra o dela e quando ele comprimiu-lhe as curvas suaves sob o
torso poderoso, envolveu o pescoço dele com os braços. Ela continuava ansiando
cada vez mais pela devastadora boca de Esteban. Cada beijo trazia muito mais do
que um dia havia sonhado. Estava perdida num mundo obscuro de sensualidade que
era completamente novo para ela. Respirava em arfadas curtas e rápidas. A
atenção experiente que ele dava aos sensíveis bicos dos seios era mais estimulante
do que María podia suportar, ela se
retorcia e se virava, pequenos gritos baixos brotavam de sua garganta.
— Eu gosto de ficar olhando você... —
confessou Esteban.
A forte sensação de plenitude dolorosa
entre suas coxas fez com que ela se contorcesse. Ele a tocou onde ela nunca
havia sido tocada antes. Ele descobriu o úmido núcleo dela e descortinou a
entrada dilatada, provocando um gemido de súplica nos lábios entreabertos. Ela
estava se incendiando, contorcendo-se. Tomado por um desejo impetuoso, ele a
havia desvendado em seu íntimo.
— Esteban... por favor — soluçou ela.
Ele a fez ficar louca. Presa por aquela
sedução ardente, ela estava indefesa e fora de controle. Ondas de calor
latejante fluíam nela. Ele a inclinou para trás e mergulhou então no seu cerne
úmido e liso.
— Você é tão apertadinha, cara mia... —
ele murmurou com um prazer brincalhão, enquanto ela ainda estava em choque com
aquela invasão desconhecida.
Ele pressionou novamente, vencendo a carne
resistente e buscando o centro profundo dela. María gritou de dor e lágrimas de espanto encheram
seus olhos.
Tranqüilo, Esteban olhou para ela com um
questionamento incrédulo.
— Você ainda era virgem... ou eu estou
imaginando coisas?
O corpo dela já estava se adaptando à
incursão audaciosa dele e o ápice da dor havia passado. Enquanto as emoções e
reações corriam com uma força extremada, ela se espichou para dar um beijo de
perdão a ele. Que Esteban fosse seu primeiro homem era o que ela sempre sonhara
e não havia espaço para remorso.
— Eu não sabia que podia me sentir assim...
não pare...
— Minha esposa... uma virgem de 18
quilates... — repetiu Esteban, com uma voz velada e não inteiramente fluente.
Num convite frenético, María envolveu-o com seus braços, chegando-se mais a
ele.
— Venha... venha...
Enquanto ela fazia um movimento instintivo
de encorajamento, ele cedeu e mergulhou nela novamente. A veloz excitação que
havia sido suspensa por um momento voltou-se faminta para ela novamente. Com
uma forte e contínua movimentação do corpo vigoroso, ele a dominou e ela se
rendeu ao ritmo sensual com um abandono indefeso. A excitação foi aumentando,
e aumentando, até que ela poderia ter gritado de ansiedade e aflição. Só então
ele permitiu que sua crescente falta de controle explodisse integralmente, num
enorme clímax de prazer convulsivo. Depois, incapaz de respirar ou de falar,
ela caiu de novo sobre o travesseiro e ficou inerte, inebriada pelos longos
momentos que se seguiram...
Esteban tinha feito amor com ela e isso
transcendera todas suas ingênuas expectativas. Porém, não apenas ela estava já
começando a se sentir culpada e desconfortavelmente ciente de que não deveria
ter sucumbido à tentação, como também percebia que ao se tornar íntima de Esteban
tinha colocado a si mesma em um beco sem saída. Havia sido muito ingênua por
não pensar que Esteban iria perceber que era o primeiro homem que ela tinha.
Ele supunha que ela era uma mulher casada, e portanto não virgem.
Nesse exato momento, Esteban tirou seu peso
de cima dela e estendeu um forte braço em volta dela para carregá-la para uma
parte mais fresca da cama. Seus olhos contornados por densos cílios negros
inspecionaram o rosto febrilmente afogueado. Ele deu um beijo delicado na face
de María .
— Então... minha surpreendente esposa
virgem... Será possível que você seja ainda quase uma noiva?
María empalideceu e abaixou a cabeça. É claro que
ele agora estava se perguntando se eles eram recém-casados. Se ele ainda não a
estivesse segurando, ela teria se escondido debaixo da cama e se recusado a
sair de lá. Estava com tanta vergonha de si mesma que não conseguia olhar para
ele e tinha ainda menos condições de pensar sobre o próprio comportamento.
Teria ficado completamente louca?
— Você está muito quieta... — observou Esteban.
— Puxa! Estou precisando de um banho! —
exclamou María e praticamente saltou
para fora da cama.
Como escapar havia sido a única coisa que
lhe ocorrera, ela ficou espantada ao perceber que ainda estava nua como no dia
em que nasceu. Ajoelhando-se no chão com mais pressa do que graça, ela vasculhou
à volta da cama em busca de sua camisola e vestiu-a movimentando as mãos de
forma frenética.
Recostado sobre os travesseiros brancos
desarrumados, Esteban a olhava com a testa franzida em uma total
incompreensão.
— Che cosa hai? — ele perguntou,
perplexo. — Qual é o problema com você?
María forçou um sorriso e falou sem se dirigir diretamente
a ele.
— Ora, que problema poderia haver?
E voltando para seu próprio quarto, logo
que viu que estava fora de vista trancou-se no banheiro privativo.
O que Esteban iria pensar dela quando
recuperasse a memória? Uma vergonha aterradora a assaltou. Ele iria pensar que
ela era uma criatura deplorável para ter dormido com ele em tais
circunstâncias. Ou seria mais provável que ele considerasse que só uma mulher
tonta iria agarrar a única chance que tivera de se aproximar dele?
No quarto ao lado, o telefone interno da
casa tocou e Esteban atendeu. Demetrius lhe avisou em tom velado que uma visita
havia chegado.
— Quem? — perguntou Esteban, começando a
pegar suas roupas.
O mordomo demonstrou grande relutância em
dizer o nome da visita, mas conseguiu dar a entender que a identidade dessa
pessoa era um assunto muito confidencial.
Minutos depois, Esteban desceu a escada.
— Por que todo esse mistério? — perguntou
ao empregado em tom extremamente seco.
— É a senhorita Victória Carter.
Os ossos faciais de Esteban se moveram,
pois aquele nome não tinha nenhum significado para ele e estava furioso e
frustrado pelo que estava acontecendo.
— Fiz mal em deixá-la entrar? — perguntou Demetrius
com voz trêmula.
Não aceitando estar numa situação
vulnerável por causa da amnésia, Esteban recusou rebaixar-se fazendo confidências
ao mordomo. Queria saber por que o empregado supunha que era mais razoável
barrar a entrada daquela mulher em sua casa. Mas um orgulho teimoso fez com que
se mantivesse em silêncio.
Entrou na sala de recepção dos fundos,
raramente usada, onde Demetrius havia ocultado a hóspede inesperada. Uma bela ruiva
de olhos azuis veio em sua direção. Alta, com medidas perfeitas e a elegância
de uma modelo, ela atirou-se em seus braços e falou:
— Faz alguma idéia do quanto fiquei
preocupada? Quando você não apareceu ontem, pensei que devia estar muito
ocupado. Mas quando ouvi rumores de que houvera um acidente, eu simplesmente
tive que vir aqui!
Desconcertado pelo tom íntimo dela, Esteban
a afastou um pouco. Seus escuros olhos verdes penetrantes pareciam
extremamente frios e cautelosos.
— Como pode ver, sua preocupação era
desnecessária. Eu estou muito bem de saúde.
Victória Carter balançou a cabeça
exageradamente.
— Não seja tão frio comigo! — reclamou.
— Eu estou sendo frio? — disse Esteban ganhando
tempo.
— Está bem... — Suspirou ela. — Eu sei que
não devia ter vindo aqui porque você considera que sua amante deve ser
muitíssimo discreta. Contudo não estamos mais no século 19...
Deixando entrever apenas uma ligeira
expressão no rosto, Esteban sentiu-se chocado com o que ela disse. Uma palavra
de baixo calão que ele nunca usava veio abruptamente à sua mente. Finalmente
ele entendeu o que havia abalado os admiráveis nervos de aço de Demetrius. Victória
Carter era sua amante, e confiante o bastante para vir à sua casa mesmo sabendo
que ele era um homem casado.
Lamentavelmente a atitude da amante lhe
mostrava claramente qual tinha sido a sua atitude em relação à esposa. Ocorreu
a Esteban que aquela palavra de baixo calão com a qual ele classificara
mentalmente a situação poderia muito bem ser aplicada ao próprio caráter
antes do acidente de carro. Não era preciso ser um gênio para descobrir por que
seu casamento parecia ter estado em risco ou por que sua esposa havia dito que
ele lhe dava pouca atenção: ele mantinha um caso.
— Eu ainda acho que teria sido mais sábio
se você tivesse resistido ao impulso de vir aqui — retrucou Esteban. — Mas como
veio, é justo lhe dizer que eu acredito que nosso relacionamento já percorreu
todo seu curso e agora deve terminar.
Enquanto Victória o olhava entre surpresa e
zangada, Esteban concluiu o que havia falado acrescentando apenas que
lamentava, em um tom formal. Ele sabia que não estava sendo convincente, mas a
única coisa que lhe interessava era fazer Victória sair da casa antes que María
fosse afrontada com a visão dela. Ele
não estava habituado a admitir um erro e parecia furioso com a descoberta de
que sua vida pessoal era totalmente desordenada. Victória se referira a um
encontro marcado ao qual ele teria faltado no dia anterior. Então não havia
dúvida nenhuma: ele vinha sendo infiel à esposa. Não era à toa que tinha
sentido tanta tensão em seu relacionamento!
María saberia sobre Victória? Claro que ela sabia
que havia uma outra mulher! Devia ser por isso que seu casamento ainda não se
consumara. Teria María se recusado a
dormir com ele enquanto ele ainda mantivesse uma amante? Provavelmente por ter
sido avisada pelo Dr. Caius para não dar nenhuma informação perturbadora a seu
marido, María não havia dito a ele nada
que pudesse causar transtornos. Se não fosse pela inabilidade dela em esconder
sua aflição e confusão depois que eles fizeram amor, ele teria sem dúvida
concluído que ela ainda era virgem porque eles eram recém-casados.
Em vez disso ele havia se confrontado com
uma explicação muito menos agradável, e a culpa era uma experiência nova para Esteban.
De fato, como um San román, ele estava acostumado a manter um alto nível moral.
Os homens da família San Román se orgulhavam do senso de honra. Foram as
esposas desonradas que haviam, nas gerações mais recentes, mostrado indignidade
com sua cobiça, promiscuidade e fraqueza moral.
Mas María já lhe parecia constituir um avanço em relação
às mulheres escolhidas por seus antepassados, avaliou ele, apertando a boca
sensual.
Ele se manteve em silêncio enquanto Victória
se esforçava em convencê-lo a mudar de idéia e depois o acusava duramente de
ser cruel e insensível. Ele não disse nada. Ela seria ricamente compensada pelo
término repentino da relação deles. Sem esse encorajamento a cena poderia ser
interminável, mas, ofendida por não ter conseguido sequer influenciá-lo, Victória
finalmente passou diante dele com a cabeça erguida e saiu para o vestíbulo.
Tendo juntado coragem para ir atrás de Esteban,
porque estava preocupada pelo fato de ele ter desaparecido do quarto quando
tudo que ela sabia sobre os homens é que eles dormiam depois do sexo, María ainda teve tempo de ver Victória Carter cruzar
o vestíbulo. Ela ficou imóvel no patamar acima e examinou a estranha com sua
longa cabeleira ruiva, seu rosto deslumbrante e pernas que pareceram a María tão longas quanto seu corpo inteiro.
Ela viu a mulher ruiva sair e se perguntou
quem afinal era ela. Teria vindo visitar Esteban? Teria sido namorada dele? Na
verdade, não havia ocorrido a ela que Esteban pudesse estar envolvido com
alguém. Cheia de ansiedade e mal-estar, ela correu de volta para o próprio
quarto e atirou-se na cama.
Cerca de dez minutos depois, Esteban observou
a esposa adormecida. Seus cílios pareciam úmidos e colados como se ela
tivesse chorado. A consciência que ele não sabia que tinha até aquele momento o
golpeou. Ele era um verdadeiro sacana. E não havia novidade nenhuma nessa
constatação. Mesmo quando era adolescente ele não havia perdido muito de seu
tempo com as mulheres ou pensando nelas. Ele nunca amara e sempre as
abandonara. Mas essa mulher era um caso à parte porque ele havia se casado com
ela e a tornara infeliz. Suas unhas roídas mostravam isso e ela merecia algo
melhor. Ela não havia mencionado Victória. Isso fora sensato. Ele também não
tocaria no assunto. Há coisas que é melhor deixar enterradas. De qualquer
forma, naquela noite, sua esposa agira verdadeiramente como esposa, e eles
deviam prosseguir a partir dali...
Quando María acordou, espreguiçou-se e a esquisita dor na
região íntima entre suas coxas a trouxe repentinamente à consciência mais
rápido do que qualquer outra coisa poderia ter feito.
Ela olhou para o relógio desalentada,
porque já passava do meio-dia. Perturbada por sonhos incômodos passara mal a
noite e dormira até tarde. Arrastando-se para fora da cama esforçou-se para se
arrumar, mas a mente não cessava de atrapalhar. Ficava lembrando-se de Esteban fazendo
amor com ela, do cabelo despenteado, dos olhos verdes parecendo selvagens em
sua intensidade. Ela estremeceu. Só de pensar nele sentia os joelhos
fraquejarem. Sob a aparência fria e seca escondia-se um temperamento quente e
apaixonado.
Mas então... então ela tinha feito amor com
Esteban. Embora isso tivesse sido uma coisa extraordinária para ela, duvidava
que ele desse igual importância ao ato sexual. Esteban era muito rico e muito
bonito e, gostasse ela ou não, devia ser muito experiente com as mulheres. Ele
pensava que ela era sua esposa, mas não tinha recordação nenhuma dela. Mesmo
assim a havia levado para sua cama e não demorara em satisfazer seu grande
apetite sexual com ela. No entanto, para ser franca, María não tinha queixas. Na verdade, refletiu com
uma culpa divertida, corria até o risco de adulá-lo como uma escrava desejosa,
na esperança de que ele sentisse vontade de repetir o que para ela havia sido
um acontecimento extraordinariamente prazeroso.
María ouviu um barulho no quarto e voltou-se do
espelho do banheiro ainda com um batom na mão.
— Ah... é você — murmurou insegura quando
viu o marido perto da porta.
— Dormiglione... sua dorminhoca —
disse Esteban com voz rouca.
A atenção dela se prendeu àquele rosto
forte e seu coração ficou descontrolado.
— Você não precisa de todas essas coisas —
falou Esteban dirigindo um olhar de reprovação para a considerável coleção de
cosméticos na prateleira. — Livre-se delas.
O lado dominador dele parecia se voltar
para ela. Virando-se para o espelho, María inclinou a cabeça para trás para pintar os
lábios com gestos desafiadores.
— Eu gosto de maquiagem.
— Mas deve saber que eu não — informou Esteban
em um tom que mostrava sua estupefação por ela estar se maquiando perto dele.
— Bem, você tem toda liberdade de não
usá-los — ironizou ela.
— Não brinque. Não gosto de nada
artificial. María fez os lábios luzirem
com um tom de framboesa e dirigiu a ele um largo sorriso de perdão.
— Você é um homem surpreendente... É tão
controlador e mimado...
— Mimado? — repetiu Esteban, num misto de
dureza e desconcerto.
— Onde quer que você vá, fica cercado de
pessoas que obedecem às suas ordens, seus subalternos, seus empregados. Eu
achava que você já devia estar cansado de chefiar tanto, mas em vez disso
parece preferir continuar dando ordens...
— Expressar uma preferência minha não
significa dar ordens — retrucou Esteban friamente.
— Mas quando você expressa uma preferência,
soa como se fosse um comando. Porém eu não vou abandonar minha maquiagem só
porque você não a aprecia. Você está usando um casaco muito sem graça... vai
se livrar dele só porque eu o acho sem graça?
— Eu não me dedico à moda no banco — disse Esteban
rispidamente.
— Mas você não está no banco agora — ouviu
a própria boca dizer, com a voz áspera, dificuldade de respirar e uma pequena
mas perturbadora fagulha de excitação.
Inesperadamente, Esteban estendeu as mãos e
a puxou para ele.
— Você é muito... insurgente...
Com todos os sentidos despertos pela
expectativa que se acendia, María olhou-o ardentemente. Ele a puxou ainda para
mais perto. Maravilhada ao sentir os músculos fortes, ela se deixou envolver
pelo irresistível corpo masculino dele.
— Você quer dizer atrevida? — sussurrou
ela. Esteban ergueu as mãos até o rosto dela e alisou sua face. Os olhos azuis
de María pareciam agora lagos
convidativos. Os olhos dele, calorosos e acesos, fixavam-se em seu rosto,
transmitindo uma forte ânsia.
— Tudo o que sei é que você me faz
incendiar. Se as criadas não estivessem ali ao lado arrumando as malas, eu a
agarraria contra a parede. Gostaria de poder fazer isso rápida e
decididamente, e acho que você também gostaria, María mia.
Uma onda de calor rosada subiu ao rosto de María
por debaixo da maquiagem. Mal podia
acreditar que ele havia dito tal coisa, mas a intensidade sensual do carinho de
Esteban revelava o quanto ele falara sério. As pernas dela tremeram. Embora
desnorteada, ela se sentiu ardorosamente excitada pela ousadia. Os mamilos
haviam se contraído, formando pequenos picos sob a camiseta, e o formigamento
na sua pélvis fez com que se sentisse insuportavelmente fraca.
— E eu creio que poderia fazer isso sem
desmanchar a maquiagem — continuou Esteban no mesmo tom meditativo.
— Provavelmente — emendou ela com voz
aguda. Vendo que os olhos dela ardiam de paixão, Esteban riu com uma satisfação
muito masculina.
— Mas acho que vou resistir a esse desejo
até você retirar a maquiagem!
— Vai esperar muito tempo!
Pouco à vontade com a brincadeira dele, María
se afastou um pouco. Depois hesitou.
Querendo ou não, sabia que devia perguntar a ele quem era a visitante da noite
anterior.
— Vi a mulher que veio aqui para vê-lo
ontem à noite. Fiquei sem saber quem era ela...
Esteban desviou dissimuladamente os belos
olhos.
— Que mulher? María enrubesceu.
— Aquela com longos cabelos ruivos... e
muito atraente...
— Ah, sim, aquela...
Esteban deu de ombros friamente, sem mover
um músculo no rosto inteligente.
— Ela trabalha para mim.
A corrente de alívio que perpassou o corpo
de María fez com que sua cabeça
arejasse. Tinha sido tolo de sua parte ficar amedrontada com a visão daquela
bela mulher. Ela ouviu alguém no quarto ao lado perguntar alguma coisa a Esteban.
— María , as criadas estão dizendo que só
conseguiram encontrar uma pequena quantidade de roupas suas. Onde está o resto
de seu guarda-roupa?
Esforçando-se freneticamente para descobrir
uma boa explicação para a falta de roupas, María tentou colocar-se no mesmo nível de Esteban e
também deu de ombros.
— Eu decidi fazer uma boa limpeza no
guarda-roupa — afirmou.
As sobrancelhas negras dele se franziram.
— Mas segundo as empregadas você tem apenas
duas mudas de roupa aqui, cara.
María mordeu o lábio inferior e baixou os olhos. Sua
mente estava enevoada.
— Uma parte sumiu?
Houve um longo silêncio e ela lançou um
olhar nervoso na direção dele. Mas não conseguiu ler nada no belo rosto. Ele
olhou de volta para ela com um ar franco.
— Eu realmente estou precisando fazer
compras... — murmurou ela.
— Se não soubesse que não pode ser verdade,
pensaria que você esteve morando em outro lugar — disse Esteban.
— Pelo amor de Deus... — exclamou María ,
tensa.
— Então explique os armários vazios de uma
forma que eu possa acreditar.
Retesada como uma corda, María respirou profundamente e felizmente lhe veio
uma inspiração.
— Nós tivemos um briga estúpida porque você
não aprecia meu gosto a respeito de roupas... e eu fiquei tão aborrecida que
joguei todas elas fora!
Esteban reagiu de modo compreensivo.
— Ora, com seu temperamento irritadiço,
posso imaginar...
Um pouco da terrível tensão se aliviou.
— Por que as criadas estão fazendo malas?
Estamos indo a algum lugar?
— Para o Castello San román.
Escrito por: ~ Vickitoria


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