Para sempre em seu coração Capitulo 6
— Estou tão contente por você! — Ângela
abraçou María com entusiasmo esfuziante
entre o primeiro e o segundo pratos da refeição. — Quando voltar à universidade após o verão, você me verá menos ainda, e eu estava preocupada com que você se
sentisse só. Isso parece egoísta?
— Claro que não — assegurou-lhe María com seu melhor sorriso.
Morar longe de casa tornara a irmã
independente e embora às vezes doesse um pouco ver Ângela confiar demais no
próprio julgamento, María orgulhava-se
muito dela.
— A María precisa se divertir um pouco — disse Ângela
zelosamente a Esteban. — Ela abriu mão de tantas coisas por minha causa. Minha
bolsa de estudos só cobre parte de minhas despesas, María paga todo o resto. É por isso que está sempre
sem dinheiro. Quando descobri que minha educação custava tão caro, tentei
persuadi-la a me tirar de lá.
— Você estava se saindo muito bem e é isso
que interessa. — E, dirigindo-se a Esteban: — Ângela quer ser advogada
internacional. Ela realmente é muito boa com idiomas.
Esteban falou em francês com Ângela, que
respondeu com impecável tranqüilidade. Ambos tinham essa confiante agudeza que María
sempre invejara. Após a refeição, Esteban
atendeu a uma chamada no celular enquanto María e a irmã ficavam alguns minutos a sós. Ângela
estava retornando à escola para estudar para as provas finais. Terminados os
exames, voaria direto para a Espanha, onde passaria férias na casa de campo da
família de uma amiga. Após despedir-se da irmã com um aceno, María embarcou na limusine com Esteban.
— Ainda não separei as coisas. Por isso,
tenho de voltar para meu apartamento.
Esteban lançou-lhe um olhar severo.
— Não temos tempo. María levantou o queixo.
— Você não tem, mas eu tenho. Me mande amanhã
num vôo econômico.
— Vou transferir nosso vôo para hoje à
noite.
— Não precisa — disse María , ríspida. —
Preciso de mais tempo para organizar as coisas. Prefiro viajar amanhã.
Esteban observou a expressão rebelde dela.
— Não saio de Londres sem você.
— Não quero ir para a Suíça.
— Mentirosa — Esteban murmurou com
aspereza. María irritou-se
— O que você quer dizer com isso?
Esteban deslizou o dedo indicador ao longo
da generosa curva do lábio inferior dela. A pele sensível de María entorpeceu-se e a respiração deteve-se na
garganta.
— Mostre-me o quanto você odeia o que faço
com você, María mia — sugeriu Esteban num convite insinuante.
Embora tentasse lutar contra o impulso, María
se viu inclinando-se para a frente. Ele
a atraiu como o fogo a atraía quando ela estava enregelando-se. Suas narinas
dilataram-se com o cheiro dele, tão familiar quanto desejado: cheiro de homem,
mesclado com perfume caro, incrivelmente sexy. Seus seios cresceram
dentro do sutiã; os mamilos, antes macios, eram agora duas pontas rígidas.
— Você não está se esforçando o suficiente
— censurou Esteban.
— Me esforçando para quê?
Com a mente num branco total, a rouquidão
invadiu sua voz no esforço para falar.
Ele levantou a mão esguia e, num gesto
provocativo, passou a ponta do dedo na proeminência do mamilo intumescido
delineado pelo tecido fino do top.
Quando ele tocou o bico sensível, María emitiu um suave som choroso. Seu coração batia
feito um tambor. A cabeça tornou-se pesada demais para o pescoço e inclinou-se
para trás. No meio de suas coxas esguias, a temperatura do desejo atingiu um
pico agridoce de ânsia que queimava.
Com a ponta da língua, Esteban deu uma
pincelada na delicada greta na base da clavícula, onde um minúsculo impulso
transformou-se em loucura. María gemeu
e avançou. Queria que ele a beijasse tão forte que ela lhe sentisse o gosto. Esteban
levantou a cabeça e ela olhou para ele. Emoldurado por impenetráveis pestanas
negras, o duro brilho sexual de seu olhar brilhante equivalia a um choque
elétrico.
— Faça... — suplicou ela.
— Não. Não faço sexo no banco traseiro de
limusines. — Esteban afastou-se dela com um acentuado ar de escárnio.
Suas bochechas avermelharam-se como beterrabas
na fervura. Suas mãos arredondaram-se na forma de punhos ferozes. Ela queria
dar-lhe um soco. Queria dizer-lhe coisas rudes, mas conseguiu conter a explosão
reveladora. Estava mortificada com a própria vulnerabilidade. Como fora tão
fraca? Mostre-me quanto você odeia o que faço com você! Se ela continuasse a
oferecer-se a ele de bandeja, Esteban logo adivinharia que ela estava
completamente apaixonada por ele. E, na opinião de María , nada seria pior que
isso; nada mais humilhante. Assim, já que podia escolher, concluiu que seria
preferível que ele a considerasse uma ardilosa caçadora de ouro.
A limusine deteve-se em frente ao salão de
cabeleireiro para María desembarcar.
Pouco antes da hora de fechar, depois de examinar os livros contábeis com Bree,
que ficaria gerenciando o salão, María subiu a seu apartamento para terminar de fazer
as malas.
Às sete horas a campainha soou. Embora ela
supusesse ser Esteban, sua visita era Jacob, o engenheiro com quem saíra
algumas vezes no ano anterior e que havia se tornado um amigo.
— Adorei o cabelo! — Jacob riu e agitou as
brilhantes pontas negras que contrastavam tanto com o cabelo prateado. —
Bastante gótico.
— Gostou? — María deu um largo sorriso de aprovação ao lembrar
que Esteban aparentemente nem notara e, na verdade, isso pouco importava porque
os reflexos pretos desapareceriam na primeira lavagem.
— Gostaria de sair hoje à noite?
A figura alta e carrancuda de Esteban percorreu
o patamar a passos largos.
— María tem outros planos.
— Você é o secretário social dela... ou
algo do gênero? — disparou Jacob.
— Marido — respondeu Esteban com voz fria e
arrastada.
Quando Jacob, enrubescido, desceu a
escadaria com estrépito, María soube que
ele nunca pisaria de novo em sua soleira e lançou a Esteban um furioso olhar de
reprovação.
— Não precisava fazer isso.
Da privilegiada posição de comando, Esteban
desferiu-lhe um forte olhar de desaprovação.
— Você estava flertando.
— Não estava flertando... mesmo que
estivesse, o que você tem a ver com isso?
— Você estava esperando esse homem hoje. E
por isso que só queria viajar amanhã — Esteban acusou-a com voz áspera num tom
velado.
María jogou a cabeça para trás, num gesto de impaciência,
na descida para o primeiro lance de escadas. Ele, porém, a estava fazendo
sentir-se como Helena de Tróia, o que a fez enrubescer.
— Sou mesmo uma mulher leviana. Você vai
ter que me vigiar dia e noite na Suíça. Tem certeza de que vale a pena?
— Tenha cuidado. Se eu pegar você flertando
com outro homem não vou ficar contente.
Sua boca secou e, embora surpresa com a
veemência dele, uma excitação sombria e perigosa lambia seu corpo esguio.
— Eu estava só brincando.
— Não teve graça nenhuma — replicou Esteban
de maneira sombria.
A bordo da aeronave, María percorreu o corredor da luxuosa cabine e
sentou-se o mais longe possível dele. Virou a cabeça para o outro lado e se
enrascou no confortável assento. O choro não era de seu estilo, mas de repente
ela sentiu-se capaz de verter um rio de lágrimas.
Na manhã seguinte, María dormiu até tarde. Quando levantou, sentia-se
ávida para enfrentar Esteban com todos os argumentos que não tinha podido utilizar
durante o almoço com Ângela. No café da manhã, Demetrius informou que Esteban já
saíra há muito tempo para o Banco San román.
Sua lembrança de como chegara à cama na
noite anterior eram tênues e embaraçosas. Após dormir por todo o vôo, percorreu
o aeroporto aos tropeços, como uma sonâmbula, foi colocada na limusine e
permitiu que Esteban a carregasse para a cama quando por fim chegaram à
residência. Nunca antes sentira um cansaço tão esmagador e foi um alívio
perceber de novo a centelha de suas energias restauradas.
Ela havia pensado que estava faminta, mas
quando chegou o café da manhã que havia pedido seu apetite desapareceu de
maneira misteriosa. Após empurrar a bandeja para longe, mordiscou uma rosquinha
e saboreou um tentador chocolate quente, substancioso e satisfatório. Convicta
de que uma visita ao santuário dos santuários, o Banco San román, exigia uma
roupa especial, ela sentiu alívio ao descobrir no quarto de vestir as roupas de
alta-costura que Esteban comprara para ela.
O Banco San Román em Genebra tinha um
tamanho intimidador e linhas muito contemporâneas. Sua tensão nervosa começou
a aumentar. A informação de que ela era a esposa de Esteban criou na recepção
um rebuliço envolvendo um discreto interesse. Um jovem num vistoso terno
escoltou-a até o andar da presidência, levando-a pelas portas duplas que davam
num grande escritório.
Esteban descansava com um ar imponente,
apoiado na borda de uma lustrosa mesa de madeira clara. Trajando terno azul
com camisa cinza e bela gravata de seda, ele parecia simplesmente espetacular.
— Diga-me — perguntou ele com delicadeza. —
Hoje não é aniversário de ninguém. A que devo essa interrupção? Qual é a
ocasião especial?
— Eu só queria falar com você.
— Então deveria ter saído da cama mais cedo
— esclareceu Esteban secamente. — Estamos no meio de meu dia de trabalho e não
estou disponível para visitas pessoais.
— Isso é bom, pois se trata de uma visita
de negócios — informou-lhe María na
esperança de atrair a atenção dele.
Esteban levantou-se e estendeu-lhe a mão
esguia.
— Venha cá, quero lhe mostrar uma coisa.
— Para onde você está me levando?
Era um banheiro. Situando-se atrás dela, Esteban
colocou-a em frente ao espelho da pia, de modo que ela pudesse ver o reflexo
de ambos. Os olhos azuis dela focalizaram o rosto dele. Com o pulso acelerado e
o coração disparando, ela respirou fundo.
— O que você está vendo? — indagou Esteban enquanto
pegava com a ponta dos dedos o leve casaco sobre os ombros esticados dela e o
retirava lentamente.
María parecia hipnotizada.
— Nós?
Como para chamar a atenção para eles, Esteban
baixou as estreitas alças de contas de seu vestido, o que deixou desnudos os
esguios ombros dela. Então, os longos dedos dele subiram da cintura dela por
sobre as costelas para se deterem logo abaixo dos luxuriantes seios
ressaltados pelo tecido aderente. María parou de respirar.
— É assim que uma mulher se veste para um
compromisso de negócios, cara? — indagou Esteban de maneira
insinuante.
— Sei que o vestido é um pouco esporte
demais, mas eu adoro ele, então vesti um casaco para que parecesse mais
discreto — disse-lhe María sem fôlego.
— Não era isso que eu queria dizer. Só para
deixar registrado, basta colocar um vestido como esse num corpo como o seu para
que o resultado não possa ser descrito, nem com todo o esforço de imaginação,
como... discreto.
María inclinou-se em direção a ele com um largo
sorriso.
— Você gosta dele?
— Não era isso que você queria?
— Não pensei nisso, mas você provavelmente
tem razão.
— Essa cena é adequada para o quarto de
dormir, mas não dentro do meu banco.
— Vim aqui ter uma conversa séria —
respondeu María com aspereza e, após
abaixar-se para pegar o casaco, entrou no escritório. — E pretendo ter essa
conversa. Sinto muito se você não consegue manter a mente nos negócios só
porque uma mulher veste uma roupa atraente.
Com um tom sombrio encobrindo as orgulhosas
maçãs do rosto, Esteban lançou-lhe um olhar cortante.
— Ponha-me à prova...
— Quase quatro anos atrás assinei um
contrato para me tornar sua esposa. Em troca, aceitei uma certa soma em dinheiro. Devolvi
dois terços daquela quantia quando descobri que não precisaria dela e...
Esteban elevou a mão, silenciando-a.
— Espere! Você devolveu parte do dinheiro
daquele acordo? Como?
— Eu o depositei de novo na conta que você
abriu e enviei uma carta por meio de seu advogado, o Mike...
— Rapaz de grande previsão — atalhou Esteban
com mordaz sarcasmo. — Graças a suas artimanhas, quebrei o nariz dele semana
passada.
Com os olhos esbugalhados, María o encarou consternada.
— O que você fez... quebrou o nariz dele?
Mas por quê?
— Ele teve a infelicidade de sugerir que
minha esposa poderia não ser tudo aquilo que eu pensava que fosse... antes de
eu recuperar a memória.
María ficou rosa claro de humilhação.
— Oh... eu estava falando sobre aquele
dinheiro. Esteban olhou-a indiferente.
— Eu não sabia que você havia devolvido
qualquer parte daquele pagamento.
María cruzou os braços rispidamente.
— Bem, o fato é que devolvi. Resolvi não
comprar uma propriedade, uma vez que se alugasse daria no mesmo. Só fiquei com
o necessário para alugar o apartamento e montar o salão na loja embaixo.
Equipar o salão era bastante caro. Você pensou que meu negócio não daria muito
certo, mas ele paga meu aluguel e as contas, de modo que nunca tive do que me
queixar.
— Você pode me dizer para onde essa
conversa está nos levando?
— Quando Ângela terminar os estudos,
poderei vender o salão e reembolsar o que você me pagou. Assim estaremos quites
e você pode me deixar ir.
— Você realmente vestiu sua roupa mais
sensual para vir me fazer essa oferta?
Enfurecida pela resposta impertinente que
deixava claro que ele nem mesmo levaria a oferta em consideração, María respirou fundo.
— No que me diz respeito, o dinheiro não
importa. Nunca importou. Seguramente você percebeu isso agora, não é? —
murmurou Esteban com suavidade.
— Suponho que você ache que tenho uma
dívida com você. Creio que seus princípios sejam implacáveis.
— Você está se saindo muito bem em termos
de compreensão — Esteban ridicularizou com satisfação.
— Mas não encontro uma boa razão para você
me forçar a estar aqui...
Esteban lançou-lhe um sorriso sarcástico.
— Mas eu tenho mais que uma boa razão. A
emoção do poder. Estou tendo a satisfação bem real de fazer você fazer o que
quero que você faça.
— Isto é repugnante... você deveria se
envergonhar! — María estava enfurecida
por ele admitir isso sem hesitação.
Os olhos atordoantes dele estreitaram-se
atentamente.
— Mas você não experimentou uma satisfação
semelhante quando se aproveitou de minha amnésia para me aquietar com uma
falsa segurança?
— Não sou como você... E também não levei
vantagem nenhuma! — María lançou-se
contra ele, ferida pela sugestão desagradável. — Eu só estava tentando
mantê-lo calmo e feliz.
A bonita boca de Esteban se contraiu
enquanto ele se divertia.
— Permeraviglia... você certamente
pôs um sorriso em meu rosto lá no quarto. Quanto a forçá-la a ficar aqui, não
será hora de enfrentar os fatos?
— Que fatos?
— Que você não teve que ser exatamente
arrastada para meu covil aos chutes e gritos. Você também me quer.
— Não o bastante para permitir que você
pense que pode me usar — María declarou
calorosamente.
Esteban fez seu dedo indicador deslizar
lentamente entre os seios dela até chegar ao umbigo.
— O que seria suficiente?
Onde ele acariciou, o corpo dela se tornou
excitantemente vivo e estimulado. Era como se cada célula de sua pele se
iluminasse.
Ela travou os dentes e tremeu.
— Sexo não é o bastante para mim.
— Eu poderia fazer com que fosse — disse Esteban
com voz rouca.
— Eu me valorizo mais do que isso.
— Mas não se valorizava assim há quatro
anos. Se eu estalasse os dedos você viria correndo.
Ser forçada a aceitar que ele sabia
exatamente como ela se sentira na época e ainda assim tê-la abandonado era
doloroso demais.
— Seu sacana... — vociferou. — Você também
tinha atração por mim, mas não fez nada a respeito.
— Eu tinha juízo.
— Era esnobe demais — rebateu María com olhos feridos e irados. — Aposto que se eu
fosse uma debutantezinha mimada você teria me visto de outra maneira.
— Não sou esnobe. Tenho expectativas em
determinados campos e não peço desculpas por elas.
— Você nasceu em berço de ouro. Toda a vida
teve do bom e do melhor, mas quando olhou para mim sentiu a mesma atração que
eu senti... Sei que sentiu! — enfatizou María numa mistura de acusação furiosa e ferida. —
Porque você mesmo admitiu isso para mim quando estava com amnésia.
— Eu me afastei porque você não iria
conseguir lidar comigo. Era jovem demais.
— Você se afastou porque seu cérebro
funciona como um congelador...
— É essa sua definição de senso comum? —
disse Esteban com lentidão e brandura.
— ...E porque eu não me ajustava à imagem
certa.
— Você ainda não se ajusta... e, contudo,
está aqui. — Com a voz lenta e afiada, Esteban estendeu suas mãos controladoras
à curva bem-formada dos quadris dela e puxou-a para si.
— Você pensa que me beijando vai me deixar
menos furiosa? — disparou María de
maneira tempestuosa.
Ele a beijou mesmo assim, comprimindo com
força os lábios macios contra os seus, demorando-se para conquistar uma reação
maior dela. De maneira provocativa, percorreu com sua boca toda a curva do
lábio inferior dela, fazendo-a tremer, enquanto inclinava-se para a frente de
modo abrupto para manter as mãos dela sobre seus ombros de músculos rígidos. Em
seguida, apertou-a mais contra si e invadiu-lhe com a língua o macio interior
da boca, onde passou a fazer incursões firmes que fizeram o sangue ruflar como
um tambor num ritmo insano pelas veias dela.
— Não posso esperar até as sete da noite —
rugiu Esteban com intensidade, parando para uma mordiscada no lóbulo da pequena
orelha feminina antes de enterrar a boca carnal na concavidade do pescoço
dela.
— Oh... — murmurou ela antes de encontrar a
tentadora boca masculina dele novamente a seu alcance.
Esteban abriu o zíper traseiro do vestido
dela, fazendo com que o ar fresco lhe varresse a espinha. Ela lutou para
recuperar a respiração enquanto o tecido rendilhado escorregava-lhe pelos
quadris para formar uma piscina a seus pés.
— Não... você não pode fazer isso! — María ofegou em estado de choque.
— Tarde demais... — disse Esteban com
intensidade. María levantou as mãos com
rapidez num esforço genuíno para cobrir-se. Ela estava em pânico.
— Estamos num banco... A qualquer minuto alguém
pode entrar por aquela porta!
— Ela está trancada... Estamos seguros.
Com determinação, Esteban abaixou as mãos
dela. Inclinou para trás a bonita cabeça para apreciar melhor a visão das
curvas exuberantes, embelezadas ainda mais por um sutiã e calcinha graciosos.
— Mas você não vai...
Quando María começou a abaixar-se para alcançar o vestido,
Esteban ergueu-a e a colocou sobre a mesa, soltando o fecho do sutiã dela.
— Esteban!
— Irresistível... — Esteban inspecionou a
perfeição rósea dos bicos dos seios e soltou um gemido alto.
Quando os olhos dela se encontraram com os
chamejantes olhos verdes dele, a fome bruta que ela viu fez com que
estremecesse. O desejo sem limites demonstrado por Esteban fez acender-se um fogo
dentro dela. Ele podia até não amá-la, mas sua paixão era muito real.
— Inferno! Você está em meu sangue como uma
febre.
Ele levou as mãos à inchação madura dos
seios dela, fazendo-a emitir um gemido baixo. Ele alisou com firmeza os mamilos
em forma de pérolas, provocando uma resposta ofegante e desamparada. Um calor
líquido começou a juntar-se no vértice das coxas dela. Ele deixou a boca
experiente vagar à vontade pela carne sensível dela. Os quadris de María fizeram um inquieto movimento para cima e
todo o pensamento dela parou. Ele afundou as mãos por baixo dela para trazê-la
mais perto.
— Eu quero você — murmurou ela, arrebatada numa
respiração frenética, o corpo tomado por uma necessidade apaixonada.
— Não tanto quanto eu quero você, María mia
— respondeu Esteban com voz áspera enquanto, com mais pressa que cuidado,
arrancava a última peça de roupa dela. — Você me ensinou que duas semanas podem
parecer duas vidas.
Ao separar-lhe as coxas, ele pôs a
descoberto o desejo ansioso, úmido e quente da mais secreta das carnes dela.
Quando ele explorou a região lisa, úmida e
quente, arrancou dela um soluçante som de frustração. Em seguida, ela arqueou o
corpo num frenesi de impaciência desamparada. Posicionando-a com suas mãos
fortes, Esteban mergulhou nela num movimento poderoso. A excitação era
intolerável. María foi atravessada por
uma onda de prazer. Foi-se todo o controle. Ele a estava conduzindo aos limites
de um maravilhoso cume de sensação. Quando atingiu um clímax selvagem de
intensidade despedaçadora, ele sufocou-lhe os gritos com o manto quente de sua
boca.
Consumado o ato, ela se sentia esgotada.
Ao sair de cima dela, Esteban a fitou com
atordoados olhos.
— Não consigo acreditar que acabamos de
fazer isso... Não posso crer que você está nua em cima da minha mesa de
trabalho.
Bastou este lembrete para María recordar-se de onde estava. Ela saltou da mesa
como um gato escaldado. Sua vontade era de rastejar para baixo do móvel e
esconder-se. Lutando com a falta de coordenação, ela se esforçava para vestir
o sutiã e a calcinha. Ao redor dela o silêncio parecia ferver.
— Você está banida do meu escritório —
disse Esteban de maneira arrastada e fria.
— Desculpe... diga isso outra vez — ela
gaguejou debilmente, empenhada como estava em vestir-se com as mãos frenéticas.
— Acho que você encenou uma peça deliberada
de poder. Veio aqui vestida para matar com um objetivo. — Esteban condenou-a
com afrontosa frieza.
— Desde o instante em que cruzei aquela
porta, você só teve um pensamento em mente. Não ouse me culpar... Obrigada — murmurou
ela com ar ausente quando ele, notando as torções acrobáticas dela, virou-a e
se encarregou do zíper. — Quem fechou a porta? Quem me ignorou quando tentei
lembrar onde estávamos? Quem me disse que duas semanas sem sexo equivalem a
duas vidas?
— María ...
— E no mesmo segundo em que você tem o que
quer, começa a agir como se eu tivesse me lançado para você — ela retorquiu
febrilmente e, enquanto gritava, dirigiu-se para a porta. — Quem me colocou
sobre aquela mesa com intenções luxuriosas? Pode acreditar, nem um bando de
cavalos selvagens me forçaria a voltar a esse banco!
Num gesto impetuoso, Esteban pegou o casaco
dela e lhe estendeu.
— Você tem marcas de batom em sua camisa —
ela disse com satisfação.
Os brilhantes olhos dele capturaram os dela
com determinação.
— Podemos fazer isso de novo em breve? María
o encarou com mortificada descrença.
— Depois de você me acusar de ter causado
tudo?
— Gostaria de agendá-la para uma nova
visita, mia cara.
— Continue sonhando! — María arremessou contra ele.
— Sou um connoisseur — Esteban murmurou
com suavidade. — E sexo bom assim é raro.
Empalidecendo, María ocultou os olhos e baixou a cabeça. Ele era
tão impassível. Com apenas um punhado de palavras poderia virtualmente
transtorná-la.
— Isso jamais acontecerá de novo —jurou María
, ao correr em direção à porta movida por uma necessidade cega de fugir da
cena de sua queda.
— Não nas próximas vinte e quatro horas, pelo menos — admitiu Esteban com
delicada precisão. — Parto hoje à noite para Zurique. Nós nos vemos amanhã à
noite.
María pensou em vários contra-ataques do tipo
"não tenha pressa", antes de concluir que qualquer resposta seria
fraca depois do jeito como se comportara em relação a ele. Num silêncio
envergonhado, ela deixou o escritório. Um grupo de executivos com expressões
perplexas esperava lá fora. Convencida de que o que fizera estava de alguma forma
escrito no rubor róseo de sua face, María caminhou rápido rumo ao elevador.
Ele tinha dito que estava proibida de
voltar ao escritório dele. Proibida como se ela possuísse uma atração tão
grande que só o completo banimento de sua presença podia mantê-lo numa linha
rigorosa de conduta sexual. Ela jogou a cabeça para trás. Um balanço muito
leve assaltou seus quadris, enquanto um sorriso insolente de soberba aflorava
na linha compacta dos lábios comprimidos.
Escrito por: ~ Vickitoria


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