Ne Me Quitte Pas - Capítulo único

Passavam-se das 19h00min quando Estevão e Maria acabavam de chegar das empresas San Roman. Maria subiu diretamente para seu quarto e Estevão, apressado, foi atrás de sua esposa. Ela foi mais rápida e trancou as duas portas de seu quarto. 
Estevão - Abre essa porta Maria.
Maria - Sai daqui Estevão. Já disse que por hoje já deu. Não quero te ver. Não quero escutar suas mentiras. - gritava dentro do quarto
Estevão - Maria, meu amor.
Maria - Me deixa Estevão. Deixa-me pensar. Ficar sozinha.
Estevão - Eu não tive culpa, Ana Rosa beijou - me, não me dei conta.
Maria com raiva abriu a porta de acesso e se afastou - Daqui a pouco vocês dois estariam na cama e você não se daria conta Estevão.
Estevão foi chegando mais perto - Está com ciúmes minha vida?
Maria - Não se aproxime. - se afastando de Estevão - Não estou com ciúmes, mas você é meu marido e me deve respeito assim como eu respeito seu nome.
Estevão- Já disse a você que ela me beijou, eu não a correspondi, não entende isso? - gritou também, causando susto em Maria - Se não quer acreditar que te amo e quero reparar meu erro de anos atrás não posso fazer nada.
Maria - Estevão...
Estevão - Fique aqui  acreditando, em que não é verídico e desacreditando do meu amor - saiu do quarto batendo a porta.
Estevão entrou em seu quarto bravo por Maria não ter acreditado nele. Ela, mesmo com ciúmes, insistia em dizer que não o amava. E ele já estava começando a acreditar nessa hipótese. Havia cansado. Fazia de tudo um pouco para ter o carinho, o amor de sua Maria, mas era em vão.
Maria estava sentada na ponta de sua cama, pensando no que aconteceu no fim do dia. 
~ Flash back on~
 A empresa estava cheia de contratos a serem assinados, reuniões a serem feitas, conclusões contratuais, enfim, a semana que estava quase terminando havia sido cheia. Após ter revisado mais um contrato, Maria teria que leva-lo a Estevão para que o mesmo pudesse lê-lo e assina-lo. Lupita não estava na recepção para anuncia-la, então, sem perda de tempo, deu uma leve batida na porta do escritório de seu marido e entrou. A cena que viu não lhe agradou nem um pouco. Ana Rosa praticamente sobre Estevão, que estava em pé encostado na mesa, o beijando.
Maria - Atrapalho? - disse sarcástica
Estevão - Maria...
Ana Rosa - Na verdade sim. Não sabe bater na porta? 
Maria - Perdoe-me, mas bati só que estavam tão entretidos que não perceberam.
Estevão - Não é nada do que está pensando.
Ana Rosa - Ela não pensa meu amor, ela vê. 
Estevão - Já chega Ana Rosa, vá embora.
Maria - Não. Insisto que fique. Não quero a atrapalhar nem mais um segundo - deixou os papéis em cima da mesa - Preciso para amanhã antes do meio dia. - olhando para Estevão - Agora os deixo. - virou-se para deixar a sala.
Estevão - Maria - ela saiu rapidamente e entrou na sala - Nunca mais pense em fazer isso. Como se atreve a me beijar. Sou casado e amo minha esposa. 
Ana Rosa - Esposa que não lhe dá o que precisa.
Estevão - Esse é um assunto que só corresponde a mim e a Maria. Já disse para ir embora e não volte a me procurar. - Ana Rosa foi embora inconformada com Estevão. Ele decidiu conversar com Maria em casa e com calma.
- Na sala de Maria -
“Não posso reclamar que Estevão busque outra por que não lhe dou o que precisa, mas mesmo assim ele não tem o direito de me humilhar na frente daquela... Por que eu ainda te amo Estevão? Por que eu simplesmente não te odeio, por quê?”
Maria tentou se concentrar no que fazia para poder finamente ir para casa. Quando acabou foi para o elevador e ao espera-lo, veio Estevão para ir embora também. O silêncio dentro do elevador era incomodo para os dois, mas Estevão queria esperar chegar em casa. No estacionamento, Maria pegou seu celular para ligar para Arnaldo.
Maria - Fora de área. Onde está Arnaldo? - disse a si mesma e voz alta.
Estevão - Deve ter saído com as minhas tias. Hoje ele as levaria a um resort depois da cidade. 
Maria - Vou chamar um táxi - começando a discar os números
Estevão - Maria. Estamos indo para o mesmo lugar. Para a nossa casa venha comigo. 
Maria - Não quero que perca um encontro com sua amante por minha causa. Posso ir de táxi. - ligando para algum taxista - Alô, oi, poderia me buscar na empresa San...-interrompida
Estevão - Perdoe-me, mas minha esposa não precisará de seus serviços, obrigado, tenha uma boa noite. - encerrou a chamada.
Maria - Não podia ter feito isso - brava -, me devolva o celular para eu poder ligar novamente. - estendeu a mão
Estevão - Você vai comigo e está resolvido. - disse sério - Não devolverei até que entre no carro e esteja seguro que irá comigo. 
Sem saída, Maria entra no carro de Estevão e em silêncio seguem para a mansão.
Estevão - Maria... - Maria permanece calada - Não vai falar comigo?
Maria - O que quer Estevão? Contar-me como eu estava sendo enganada? Eu não quero ouvir. - seguiram até a casa e silêncio.
~ Fim flash back ~
Maria - Como pode me enganar outra vez. Eu estava me convencendo a dar uma nova chance a nós. - saiu de seus pensamentos e foi tomar um banho quente.
Nem Maria nem Estevão desceram para o jantar. Alegaram cansaço pelo dia de trabalho. Demoraram a pegar no sono, mas o fizeram em seus devidos quartos.
~ Sexta feira café da manhã ~
Logo amanheceu e a mansão já acordava. Estavam todos a mesa, menos Estevão e as tias que estavam no resort.
Estrela - Onde está o papai? - disse sob o olhar atento de Maria
Heitor - Não deve ter descido ainda.
Rebeca - O senhor saiu cedo sem tomar café.
Ângelo - Não avisou aonde ia?
Rebeca - Não senhor
Estrela - Sabe pra onde ele foi Maria?
Maria levou o olhar para Estrela - Não. Não sei. Deem-me licença, por favor - se levantando e saindo da sala.
Ângelo - O que será que aconteceu?
Heitor - Acho que eles brigaram... de novo.
Estrela - Depois vou descobrir o que houve irmãozinhos. Bom, vou para a faculdade. - terminando seu café
Heitor - Vamos para a empresa Ângelo? 
Ângelo - Vamos sim. Tenha um bom dia Rebeca.
Heitor e Estrela - Bom dia Rebeca.
Rebeca - Bom dia meninos.
Estrela foi para a faculdade e Heitor e Ângelo quando estavam indo para a garagem viram Maria sair da casa.
Heitor - Senhora?
Maria virou-se - Sim Heitor.
Heitor - Estamos indo para a empresa quer vir junto?
Maria - Claro. - os seguindo.
Entraram no carro de Heitor. Ângelo na frente junto ao motorista e Maria atrás. Seguiam a caminhos da empresa.
Heitor - Maria?
Maria - Diga Heitor. - disse com o pensamento longe
Heitor - A senhora brigou com meu pai ontem à noite? Nenhum dos dois desceu para o jantar e hoje o papai não tomou café com a gente.
Maria - Heitor... É complicado.
Heitor - Mas o que houve talvez possa ajudar.
Maria - É entre seu pai e eu. Temos alguns problemas, algumas barreiras que nos impedem de sermos felizes.
Ângelo - O que pode ser mais forte que o amor que um sente pelo outro?
Maria - Pessoas Ângelo, há pessoas que fazem com que seja mais forte. - Maria calou - se e permaneceram assim até a chegada à empresa - Obrigada meninos. Peço que não comentem nada com Estevão.
Ângelo - Mas Maria vocês têm que se entender.
Maria - Mas quem tem que fazer isso somos nós. Obrigada pela preocupação, mas o tempo dirá o que deve ser feito. - saiu triste do carro
Ângelo - O que acha Heitor? 
Heitor - Acho que devemos falar com o papai.
Ângelo - Concordo, mas vamos dar o tempo que ela disse que virá e se nada acontecer conversamos com nosso pai.
Heitor - Isso irmão, mas agora vamos trabalhar - deixaram o carro no estacionamento e entraram na empresa.
~ Recepção - Empresas San Roman ~
Maria - Bom dia Lupita.
Lupita - Bom dia senhora.
Maria - Meu marido já chegou?
Lupita - Sim senhora. Chegou antes de mim.
Maria - Obrigada Lupita - saiu e foi para sua sala.
Quase meia hora que estava na empresa, Maria ouve um toque na porta e pede para que a pessoa entre.
Estevão entra sério - Aqui estão os papéis. - deixou sobre a mesa de Maria e ia saindo.
Maria - Estevão? - ele se virou - Por que saiu sem tomar café da manhã hoje?
Estevão - Estava com  pressa, mas já tomei meu café, não se preocupe.
Maria - Suponho que com sua amante.
Estevão - Pense o que quiser. Tenha um bom dia - saiu, voltando para sua sala.
Logo veio a hora do almoço, os meninos foram para casa almoçar junto com Estrela. Estevão e Maria almoçaram sozinhos, em restaurantes diferentes. Um pensando no outro. Voltaram para a empresa, não se viram, não trocaram palavras nem mesmo pelo telefone. Como haviam adiantado o todo o trabalho da semana, a sexta feira foi calma, sem muitos afazeres. Maria foi embora. Estava triste. Coisas e mais coisas martelavam em sua cabeça. Foi para casa a encontrando silenciosa. Entrou para seu quarto, deitou na cama e chorou. Dormiu por um tempo que nem ela mesma sabe. Acordou com um barulho vindo do quarto de Estevão. Uma caixa haveria de ter caído, talvez. Levantou tomando coragem para fazer o que seu coração mandava. Chegou até a porta de acesso e a abriu. Estevão olhou para a porta e viu Maria. 
Maria - Precisamos conversar.
Estevão - Não temos nada que conversar Maria - disse frio. 
Maria - Pare de ser frio comigo Estevão.
Estevão - O que quer que eu faça Maria? Depois de você não acreditar em mim, dizer que tenho uma amante e nem se sequer me deixou explicar.
Maria - E se fosse comigo Estevão? Agiria pior, muito pior que eu.
Estevão - É só isso que tem pra me dizer?
Maria - Eu te amo.
Estevão a olhava fixo - Agora vem me dizer isso?
Maria - Estevão...
Estevão - Estevão o que Maria? - Estrela passava pelo corredor dos quartos e ouviu seu pai e parou perto da porta escutando - Você não confia em mim e diz que me ama?
Maria, com lágrimas nos olhos - Eu venho aqui estou te pedindo perdão Estêvão, perdão, e você fala assim comigo? 
Estevão - Queria que te abraçasse, dizer-te que amo, que a mulher da minha vida é você? Eu te amo Maria, você sabe que é a mulher da minha vida, mas sabe, eu cansei. Cansei. Não tenho certeza se quero continuar vivendo com você. - disse nos olhos de Maria. 
Maria - Estevão pelo amor de Deus - seu choro era forte. - Agora, agora que eu me decido que estou disposta a lutar por nós você me diz isso?
Estevão - Eu quero pensar Maria, pensar - Estrela sabendo que seu pai sairia do quarto, correu para o seu e o viu descendo rapidamente as escadas. Saiu do seu quarto e foi para o de seu pai, achando nele, Maria sentada na cama, chorando descontroladamente.
Estrela - O que houve Maria? Por que choras assim?
Maria não falava. Só conseguia chorar. Estrela a deitou em seu colo e acariciava seus cabelos.
Estrela - Se acalme Maria, se acalme - de tanto chorar Maria dormiu no colo de Estrela na cama de Estevão. Quando a menina se deu conta, deixou - a dormindo e saiu do quarto. Estrela foi até o quarto de Heitor e Ângelo e os chamou para uma "reunião de irmãos".
Estrela - Meninos... Precisamos ajudar nossa mãe.
Ângelo - Mas como estrela? Hoje eu e Heitor conversamos com ela e disse para não nos metermos que é assunto dela e do papai.
Estrela -  Vamos dar um jeito.
Heitor - Precisamos primeiro descobrir o que aconteceu porque antes eles não estavam bem, mas não estavam como estão agora.
Estrela - Me parece que papai fez algo e mamãe não quer confiar ou não confia mais nele. Ouvi a conversa há pouco.
Heitor - Quando descobrimos que Maria era nossa mãe era  para eles se acertarem para podermos contar, mas ultimamente só brigam. Mamãe deve estar destroçada. Onde estão os dois?
Estrela - Nosso pai saiu. Não sei para onde, se volta hoje... Mamãe está dormindo na cama dele depois que chorou muito. Ela pediu a ele perdão, disse que lutaria por eles, mas papai parece estar magoado. Disse...
Ângelo - O que ele disse?
Estrela - Disse que não sabe se quer continuar vivendo com ela.
Heitor - Eles não podem se separar. Nós não vamos deixar. Temos que pensar em algo.
Passou - se algumas horas. Os meninos jantaram sem a companhia de Maria que continuava dormindo e Estevão que até agora não havia voltado.
Ângelo - E o papai? Onde será que está?
Heitor - Espero que ele saiba o que está fazendo por ai.
Estevão - Sei muito bem o que faço Heitor, eu sou o pai aqui e não você.
Estrela - Pai? Onde estava?
Estevão- Estava andando um pouco ou será que não posso?
Estrela - Claro que pode, mas a...
Estevão - Não quero falar de Maria - subiu as escadas para seu quarto.
Estrela - A mamãe está no quarto dele.
Heitor - Vamos deixa-los entenderem por si só Estrela. Caso aconteça algo nós subimos e intervimos. - Os irmãos concordaram.
Estêvão subiu e parou na porta de seu quarto. Abriu a porta e se deparou com Maria deitada em sua cama. Seu rosto estava inchado do choro, os cabelos espalhados pela cama. Foi andando até a cama e sentou - se a observando. Maria abriu os olhos pelo susto ao sentir a cama se mexendo. Quando viu Estêvão sentou - se na cama fazendo que Estevão se levantasse.
Maria - Estevão...
Estevão - O que está fazendo aqui Maria?
Maria - Estevão você ouviu o que eu te disse. Só você me faz e vai me fazer feliz. Se quiser eu posso repetir tudo. Eu te amo Estevão, te amo. Eu não deveria ter falado com você daquela maneira, mas os meus ciúmes Estevão, eles não me deixam ver que você não tem nada com a Ana Rosa e nem com mulher alguma.
Estevão - Maria me deixa pensar.
Maria - Não há nada mais que precisa ser pensado meu amor. Eu juro que vou fazer com que nosso casamento seja o que foi há anos atrás. - ajoelhou - se na cama ficando próxima a ele.
Estevão- Não é fácil assim. Você não confia em mim Maria.  Qualquer contratempo nós estamos brigando, você me atingindo com as suas insinuações de que tenho uma amante.
Maria - Não, não meu amor - chorava - vamos esquecer isso vamos? - pegou o rosto de Estevão com as mãos - Me ama amor meu, me ama - o beijou. Estevão demorou a corresponder ao beijo, mas não aguentou sentir os lábios da sua amada sobre os seus e não move-los. Apertou o corpo de Maria junto ao seu e delirou ao ouvi - lá gemer.
Maria - Me perdoa, me perdoa.
Estevão - Não fala nada. Não fala nada, por favor.
Maria - Me beija Estevão. Faz-me sua e de ninguém mais.
Estêvão a beijou com ímpeto, puxando os lábios de Maria, sugando - os com força e desejo.
(Ouçam Ne Me Quitte Pas de Maysa https://www.youtube.com/watch?v=8gtOXoXeWQc)
Maria - Não me deixe, não me deixe.
 
“Não me deixe
É preciso esquecer
Tudo pode ser esquecido
Que já tenha passado
Esquecer os tempos dos mal-entendidos
E o tempo perdido tentando saber como
Esquecer as horas que às vezes mataram
A golpes de porque a última felicidade...”
 
Estevão colocou um dedo sobre os lábios de Maria, calando-a - Não vou te deixar.
Ele a beijou. Colou-lhe os lábios e não os distanciaram pelos próximos dez segundos. Beijavam de um modo diferente. Com medo. Medo do que viria depois daquela noite.
 
“...Não me deixe, não me deixe,
Não me deixe, não me deixe...”
 
Estevão separando-se um pouco de sua esposa, baixou o robe de seda azul que ela usava, deparando-se com uma camisola longa da mesma cor, com tiras finas e um delicado decote. Os dois, ajoelhados na cama, se olhavam. Memorizavam seus rostos na esperança de eternizar aquele momento. Maria foi deitando-se e trazendo Estevão consigo.
 
“...Te oferecerei pérolas de chuva
Vindas de países onde nunca chove
Escavarei a terra
Escaparei da morte
Para cobrir teu corpo de ouro, de luzes
Criarei um país onde o amor será rei
Onde o amor será lei e você a rainha...”
 
Estevão - Eu te amo - sussurrou ao ouvido dela.
Maria - Te amo. - suspirando com os beijos que passaram rapidamente do pescoço ao colo.
 
“...Não me deixe, não me deixe,
Não me deixe, não me deixe...”
 
Estevão puxou parte da camisola para cima para tira-la por completo. Maria imediatamente levantou os braços para ajuda-lo. Ouvia-se respirações pesadas, gemidos pouco reprimidos. Corpos suados, mãos tateantes, bocas vermelhas... Há poucos minutos os dois já estavam nus. Estevão beijava e mordia os seios de Maria que se contorcia pelo prazer.
Maria - Estevãão - disse com dificuldade.
Estevão - Hum...
Maria - Agora Estevão, agora...
 
“Não me deixe
Te inventarei palavras absurdas
Que você compreenderá
 
Te falarei daqueles amantes
 
Que viram de novo
 
Seus corações ateados
 
Te contarei
 
A história daquele rei
 
Morto por não ter podido te reencontrar
Não me deixe, não me deixe,
Não me deixe, não me deixe...”
 
Estevão parou o que estava fazendo e olhou nos olhos de Maria. Logo a invadiu e se moveu. Ao longo dos movimentos conseguia ouvi-la pedindo para ir mais rápido e mais fundo. Ele a obedeceu. A viu em busca de ar que o prazer lhe tirou. Saía e entrava cada vez mais rápido de dentro de Maria.
 
“...Quantas vezes não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão que julgávamos velho?
 
Até há quem fale de terras queimadas
 
A produzir mais trigo que o melhor abril
 
E quando vem chegando a noite
 
Com um céu flamejante
 
Vê como o vermelho e o negro não se casam
 
Para que o céu se inflame
Não me deixe, não me deixe,
Não me deixe, não me deixe...”
 
Ela se virou e apoiou-se em seu peito. Fez movimentos rápidos, precisos, estimulantes. Beijou Estevão com força sem deixar de se mover. Após minutos nessa posição, Estevão a deixou por baixo novamente e a penetrou profundamente. Não demoraram a chegar ao topo do prazer. Ainda ofegantes, Estevão puxou Maria para seu peito e beijou sua cabeça.
 
“...Não me deixe
Não vou mais chorar
Não vou mais falar
Me esconderei aqui para te contemplar
 
A dançar e sorrir
 
Para te ouvir, cantar e rir
 
Deixe que eu me torne a sombra da tua sombra
 
A sombra da tua mão
 
A sombra do teu cão
 
Não me deixe, não me deixe,
 
Não me deixe, não me deixe...”
 
~ Sala Principal ~
Estrela - Já tem um bom tempo que o papai subiu e não ouvimos nenhum grito...
Ângelo - Acho que se acertaram - sorriu malicioso.
Heitor - Será? - sorriu de canto.
Estrela - Tomara que sim irmãozinhos. Não aguentava mais ver a mamãe sofrendo.
Heitor - Agora poderemos contar a ela que sabemos a verdade. - afirmou.
Estrela - Vamos deixar para amanhã. Hoje eles nem devem descer mais.
Ângelo - Só nos resta esperar. Vamos dormir porque amanhã o dia será longo.
Os irmãos San Roman subiram para seus quartos e foram dormir.
A noite passou tranquila. Logo amanheceu e Maria foi a primeira a acordar. Olhou para um pequeno relógio ao lado da cama e viu que já se passava das 09horas00min da manhã. Virou-se novamente e deu leves beijos no rosto de Estevão.
Maria - Acorda meu amor - continuou distribuindo seus beijos.
Estevão - Humm - resmungou.
Maria passou sua mão no rosto do marido, descendo-a até a parte mais baixa do abdômen de Estevão. Subiu sua mão lentamente, roçando seus dedos na pele de Estevão, o arrepiando.
Estevão - Maria... - sussurrou quase em forma de gemido.
Maria - Acorda minha vida.
Estevão abriu os olhos e a viu. “Tão linda, tão minha”, pensou. Aproximou-se dela e a beijou devagar. Sentindo os lábios, a língua, os dentes... Sentindo sua entrega.
Estevão - Bom dia vida minha.
Maria - Bom dia. - se aferrou no abraço. - Vamos descer?
Estevão - Por quê? Não gosta da minha companhia?
Maria - Não só gosto como sabe. Eu amo a sua companhia. - o olhou nos olhos - Eu amo você.
Estevão - Eu que te amo. Você me faz mais feliz a cada dia. - a beijou.
Maria - Vou tomar banho - disse se levantando.
Estevão - Não me convida? - observando o corpo nu da esposa sair da cama.
Maria - Você não precisa de convite. - piscou um olho.
Tomaram o banho juntos. Nada demorado. Vestiram-se e desceram. Não havia ninguém na mesa do café da manhã. Estranharam, mas sentaram-se um ao lado do outro.
Maria - Onde estão os meninos?
Estevão - Devem ter saído. - mal terminou de falar e Estrela apareceu. - Onde estava, meu amor?
Estrela - Com meus irmãos. Podem vir até a sala comigo?
Maria - Para quê? - arqueando a sobrancelha.
Estrela - Só venham, por favor. - sai e os pais a seguiu.
~ Sala ~
Estevão - Já estamos aqui. O que querem? - abraçado a Maria.
Heitor olhou para os irmãos - Maria... - deu uma pausa - Ma... mamãe.
Os olhos de Maria se encheram de lágrimas ao ouvir aquela palavra que para muitos não significa muito - Heitor... - soltando as lágrimas.
Estrela - Nós já sabemos de tudo mamãe - sorriu entre lágrimas - Já sabemos há algum tempo.
Maria - Filhos, meus filhos - disse sendo abraçada pelos três. - Meus amores...
Ângelo - Mãe, mãe, mãe, mãe... - repetia quantas vezes era possível.
Maria - Sim, meu filho, é a mamãe, a sua mãe.
Estevão juntou-se ao abraço, fazendo com que depois de vinte longos anos, a família estivesse reunida novamente.
Após aquele momento, passaram todo aquele dia matando as saudades que pareciam não acabar. Jantaram juntos e dormiram todos no quarto do casal.
Logo pela manhã, Maria estava dormindo com Estevão, que a abraça por trás, em um mínimo cantinho da cama. Ela se mexeu bruscamente, virando-se, fazendo com que os dois caíssem da cama.
Estevão - O que houve? Maria você está bem? - perguntou assustado, à mulher que estava sobre o seu corpo.
Maria - Estevão... - rindo baixo para não acordar os filhos que ainda dormiam. Estevão deu uma de suas risadas e foi calado - Shii!! Os meninos vão acordar - tentando segurar o riso.
Estevão - Você fica tão linda assim...
Maria - Assim como?
Estevão - Assim... - tirou o cabelo que caía e coloca atrás da orelha - sorrindo, feliz...
Maria abaixou sua cabeça e beijou os lábios de seu marido com desejo, mas ao mesmo tempo doçura, carinho. Estevão colocou sua mão nas costas de Maria, colocando-a mais próxima de si. Maria puxava os lábios de Estevão fortemente, sugava-os e não queria soltá-los. Pararam rapidamente para dizerem um “Eu te amo” juntos e continuaram o beijo por longos minutos. Nem sequer reparam, nas que pra sempre seriam seus “meninos”, os olhando fixamente, os admirando. Sorrindo entre si. Olhavam para os pais fascinados com o amor que ainda existia e ainda iria existir para sempre.
 
“Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...”
Mario Quintana, Bilhete.




FIM!


Escrito por: Júlia Paixão



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1 comentários:

Anônimo disse...

Que lindo! Ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...