Para sempre em seu coração Capitulo 8
Aviso importante: Para Sempre em Seu coração já esta na reta final. Para vocês o penúltimo capitulo.
Um sorriso irreverente perpassou as feições
extraordinariamente belas de Esteban.
— Vamos comer primeiro? Devo confessar que tenho
muita fome.
Nervosa como gato em um telhado quente, María
mordiscou o lábio inferior. O
temperamento rude dele, sua certeza de que ela nada tinha de importante a
confidenciar, desequilibrou-a. Ela afundou na mesa. Quando o prato principal
foi servido, a contribuição dela para a conversa restringia-se a respostas
monossilábicas.
— Quando fica quieta assim, fico preocupado
— comentou Esteban.
— Às vezes falo demais — disse ela com
desconforto.
— Mas já estou tão acostumado que gosto, cara
mia. Bem, acho que calculei mal quando deduzi que você não tinha nada importante
para me dizer.
— Sim... — María engoliu em seco. — Mas não é algo que você
poderia ter adivinhado e eu... Não se zangue comigo... Sei que vai ser difícil,
mas não se zangue comigo — ela pegou a si mesma dizendo e desprezou a própria
fraqueza. — Em certo sentido, somos ambos culpados.
Ao ouvir isso, Esteban cerrou os dentes e
observou María com seus olhos apertados.
— E então? Minha paciência tem limites...
— Estou... — Ela movimentou nervosamente o
garfo com a mão e o abaixou, com seu interior vazio por medo e falta de
alimento, pois não conseguira comer nada. - Estou grávida... Aconteceu na primeira
semana em que estivemos juntos.
Esteban empalideceu, o que fez se acentuar
sua soberba estrutura óssea.
— Compreendo que esteja chocado. Eu também
fiquei — admitiu ela com firmeza.
Num movimento tão poderoso quanto
revelador, Esteban empurrou a cadeira para trás e levantou-se. Dirigiu-se a
passos largos para a mureta e lá ficou, com os olhos perdidos na noite. No
silêncio terrível que se seguiu, o ruído das ondas na arrebentação parecia sinistramente
alto.
Ela pigarreou de maneira desajeitada. —
Nunca pensei que acabaria indo para a cama com você e, quando aconteceu, não
pensei em
contraceptivos. Ocorriam tantas coisas e eu sabia que não
deveria ter deixado você fazer amor comigo. Me senti tão culpada... todas
essas coisas atrapalharam.
Esteban serviu-se de uma dose enorme de
uísque, que bebeu de um gole só.
Com a apreensão estampada no rosto tenso, María
levantou-se da mesa e dirigiu-se com cerimônia para o meio do terraço.
— Por favor, diga alguma coisa...
— Você agora é a futura mãe do meu filho. —
A ponta de insolência da entonação dele fez com que soasse como uma frase
ofensiva gelidamente educada, e ela sentiu-se enrijecer e empalidecer. — Tenho
que ser muito cuidadoso com o que vou lhe dizer. Uma esposa grávida tem muitos
direitos e não menos importante é o cuidado civilizado por seu estado. Quando
você descobriu?
— Quando você chamou aquela médica após o meu
desmaio.
Esteban soltou uma risada ríspida.
— Há tanto tempo assim? Como conseguiu
esconder a notícia por toda essa semana?
— Não foi difícil... Se eu pudesse fugir
disso, teria fugido — disse ela em voz baixa. — Eu não queria... não quero
perder você.
Seus duros olhos verdes cravaram-se nela
com força impiedosa.
— Você nunca me teve... exceto do modo mais
básico.
— Eu sei — murmurou ela, debilitada. — Mas
isso está a ponto de destruir o que temos.
— Não suponha que sabe o que eu penso ou
sinto. Ou o que pretendo fazer a seguir — Esteban advertiu-a com severidade.
— Pode dizer o que pensa. Não me ofenderei.
O rosto dele endureceu.
— Bene... muito bem. Por que eu me
surpreenderia com seu feito? Na família San Román os bebês sempre vêm com uma
enorme etiqueta de preço amarrada neles.
— Não o nosso bebê... — disse-lhe María com ardente convicção. — Não o nosso bebê... —
repetiu. Embora sua voz estivesse trêmula, seus olhos estavam resolutos e ela
franziu as sobrancelhas. — Você vai sair?
Esteban dirigiu-lhe um duro olhar
zombeteiro.
— O que você acha?
— Onde você vai?
— Isso é problema meu.
Muito depois da partida dele, ela ainda
vagava pelo saguão, abraçando-se como se estivesse com frio. Durante todo esse
tempo, tentava não pensar em como Esteban se comportara. Como se a desprezasse
totalmente, como se ela estivesse abaixo de qualquer crítica. Como se María tivesse engravidado de propósito e planejasse
vender-lhe o bebê pelo maior preço possível.
Uma hora após sua partida, ligou para o
celular dele.
— Você vai voltar logo para casa? — perguntou
com falso entusiasmo.
— Simplesmente não vou voltar para casa —
disse Esteban em voz baixa e frieza.
— Antes que tome uma decisão sobre isso —
murmurou ansiosa —, quero dizer que se passar a noite fora ficarei muito
triste. Acho que eu não conseguiria apenas sentar e esperar. Ficaria tão
preocupada que teria de sair à sua procura.
— Essa conversa não tem sentido — disse Esteban
e desligou.
Meia hora depois, entretanto, ela ligou de
novo para ele. Quando ele atendeu, ela ouviu uma leve risadinha feminina por
perto e seu coração desabou.
— Você está com uma mulher? — indagou com
repugnância.
— Se ligar de novo, não atenderei.
— Acho que vale a pena lutar por nós dois,
mas eu não poderia perdoar infidelidade... — Ela o advertiu trêmula, com a
garganta cheia de lágrimas.
— Saiba que chantagem emocional não
funciona comigo.
— E que tal histeria? Olhe, sei que pareço
louca, mas tudo que eu quero é que você volte para casa para conversarmos.
— Mas eu não quero e você não vai me
obrigar a fazer o que eu não quero.
Era uma hora da madrugada quando Esteban apareceu
na porta do quarto. Ela estava deitada, mas acordada sob o luar, e deixara a
porta aberta para que pudesse escutar a chegada dele. Sentando-se rapidamente, María
acendeu as luzes de cabeceira. Com os
cabelos em desalinho e a barba, também escura, delineando seu queixo
obstinado, Esteban olhou fixamente para ela. Sem hesitação, ela pulou da cama e
correu para atirar-se a ele. Ele voltara. Isso era tudo que lhe importava nesse
instante.
— Não...
Essa única palavra parecia muito resoluta e
por demais inflexível. Com as mãos, ele a afastou friamente de si.
Ela deu um passo para trás, esmagada pela
rejeição e subitamente consciente de que, com o cabelo despenteado e os olhos
vermelhos e inchados, devia estar horrorosa.
— Cheguei a certas decisões — proferiu Esteban.
— É preciso duas pessoas para tomar uma
decisão num casamento — ousou María .
— Mas não quando apenas uma delas está
errada — rebateu Esteban sem hesitação. — Quero que você faça um exame para que
se verifiquem as datas que interessam. Antes de o bebê nascer quero ter o máximo
de certeza de que ele é realmente meu — disse Esteban com voz arrastada e sem
qualquer expressão no rosto.
María afastou-se dele, oprimida por uma dolorosa
aflição.
— Você tem dúvidas? — murmurou, horrorizada
com o fato de que ele chegasse mesmo a suspeitar que outro pudesse ser o pai da
criança que ela carregava.
— Algumas mulheres matariam por uma porcentagem
ínfima do que esse bebê vai valer em termos financeiros — argumentou Esteban. —
Afinal, a concepção de um filho meu lhe assegura que você viverá no luxo o
resto de sua vida.
— Você não está sendo justo. Se não tem
nenhuma fé em mim, como poderei algum dia provar que está errado a meu
respeito? — retorquiu María com crescente
angústia.
— Mas eu não estou errado a seu respeito.
— Ainda hoje você me disse ter concluído
que eu não era uma caçadora de ouro.
— A última revelação me fez mudar de idéia.
— Como poderia saber que engravidaria após
uma semana com você? — argumentou ela de maneira apaixonada. — Não é nessas
condições que eu gostaria de ter meu primeiro filho. Por que amaldiçoaria meu
bebê com um pai indeciso que me odeia?
— Não sou indeciso e não odeio você. María levantou as mãos em desespero.
— Toda sua raiva vem do fato de que quando
você teve amnésia eu mantive em segredo a verdade quanto ao nosso casamento.
— Você me mentiu por repetidas vezes.
— Não pensei que estava causando mal
algum... Então me deixei levar um pouco, estava vivendo meu sonho...
— Agora você está finalmente me contando a
verdade — interveio Esteban com sarcástica satisfação. — Você estava tão
seduzida por meu estilo de vida que não se preocupava o quanto teria de afundar
para desfrutar os benefícios.
— Por estranho que possa ser, você parecia
viver em perfeita felicidade dentro da minha fantasia...
— Vamos nos ater ao bebê — disse Esteban em
tom glacial.
Com dificuldade, María fixou a mente exausta na fundamental tarefa de
dissuadir Esteban da convicção de que ela planejara engravidar.
— Por favor, me ouça. Quando dormi com
você, eu não me importava com as conseqüências. Nunca havia tido que me
preocupar com contraceptivos antes. Eu era descuidada e tola, mas nada além
disso. — Ela lhe lançou um olhar de súplica. — Você também não se importava.
O rosto dele contraiu-se numa negativa.
— Eu tinha a curiosidade de saber quanto
tempo você levaria para fazer essa exigência. Perdoe decepcioná-la, cara, mas
você ainda não está qualificada para livrar-se da prisão.
— O que isso quer dizer?
— Nada de separação, nada de divórcio. Você
vai ficar na Suíça, onde posso vigiá-la.
— Como você se sente realmente sobre o
bebê? — ela juntou coragem para finalmente perguntar.
— Eu planejava ter um filho algum dia —
admitiu Esteban com a mesma carga de emoção que gastaria para informar sobre a
intenção de adquirir um par de abotoaduras. — Agora ele está vindo cedo demais,
em vez de tarde demais... Eu me adaptarei a isso... Não tenho outra escolha
senão me adaptar.
Daria tempo a ele. Esteban era muito
teimoso e muito cínico em suas suspeitas. Precisava de mais tempo. Ele
necessitava da compreensão dela. Ela o amava tanto... Esteban mudaria, sim, ele
mudaria...
Até que ponto, porém, Esteban teria de
mudar para aceitar María Swan,
cabeleireira, como esposa? Ele nunca a aceitara como esposa. Poderia ela
culpá-lo por isso? Esteban nunca lhe pedira para ser sua esposa e viver com ele
e com certeza não a convidara para conceber seu filho! Era importante que ela
encarasse os fatos e os fatos eram dolorosos, reconheceu com imensa tristeza. Esteban
sentia-se preso num laço. Esteban preferia sua liberdade.
Escrito por: ~ Vickitoria


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